Caminhei devagar, sentindo a
cidade com os tornozelos, com os ombros, com o ventre. A praça não era longe, o
que me permitia o luxo de ir sem pressa. Luzes pequenas e douradas pendiam dos
galhos, delicadas demais para o concreto ao redor. Aquele lugar parecia não se
lembrar do tempo, um refúgio suspenso entre os dias úteis e as promessas dos
fins de semana. Havia algo de encantado naquele pedaço de mundo, onde tudo
respirava mais devagar.
Era ali que ele me esperava. E eu
sabia, mesmo antes de vê-lo, que eu já tinha chegado.
O banco mais ao fundo, sob a
árvore torta, nos pertencia por alguma razão. Ted me esperava ali, com as mãos
nos bolsos. Ao me ver, ficou sem jeito e, sem saber onde pôr os olhos,
sorriu. Eu retribuí, não com a boca, mas com os ombros, com o quadril, com os
olhos ligeiramente semicerrados. Sentei devagar, sentindo a madeira fria contra
a pele nua das coxas. Meu vestido subindo dois dedos acima do que a decência
recomendava. E entre nós dois, o espaço necessário para o desejo respirar.
A bolsa estava ali, quieta no meu
colo. Meus dedos deslizaram até ela sem pressa. Trouxe à tona o maço preto.
Retirei um cigarro. Levei-o aos lábios. Senti o filtro rígido contra o batom
ainda intacto. Ted não disse nada, mas seus olhos estavam em alerta, atentos,
receptivos. Quase devotos.
Acendi.
A chama dançou por um segundo e
então o fogo se fixou. Traguei sem cerimônia. A fumaça entrou redonda, intensa,
e se espalhou por dentro com a perfeição de um convite aceito. Soltei devagar,
pelas narinas. Ela flutuou entre nós, criando uma névoa que era mais minha do
que do mundo.
Ted me olhava. Não disfarçava. E
eu não queria que disfarçasse. Era uma mistura de desejo, fascínio e rendição.
O que nos atrelava não era a fumaça em si, mas o gesto. O ritmo. O prazer de
ser observada. De ser traduzida através do ato.
Traguei de novo, mais fundo. A
fumaça desceu acariciando os pulmões antes de encontrar o caminho de volta.
Meus músculos se soltaram levemente. A espinha ganhou uma nova postura, mais
aberta, mais receptiva. O corpo respondia em ondas pequenas. Meus joelhos
encostaram nos dele.
Eu sabia que cada movimento era uma mensagem. O jeito que segurava o cigarro entre os dedos, a maneira que inclinava a cabeça para exalar a fumaça, o movimento dos lábios que se entreabriam antes de fechar outra vez. Tudo isso era construção. Era dança. Era arte feita para ser vista. E Ted assistia.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
Isso é o texto perfeito sobre Smoking Fetish.
ResponderExcluirObrigada. Indique ele. Poste a postagem nos seus grupos em suas redes sociais, por favor.
ExcluirJoyce, que cena! O detalhe do "maço preto" me pegou na hora. A imagem do filtro rígido tocando o batom intacto é o ápice da antecipação. Dá para sentir a textura só de ler. O Ted deve ter ficado louco vendo esse contraste do vermelho com o preto do maço. Perfeita.
ResponderExcluirNa verdade era um batom marsala
ExcluirSoltei devagar, pelas narinas. Isso pra mim é a definição de poder. Não tem nada mais excitante do que uma mulher que sabe tragar redondo e soltar pelo nariz mantendo o contato visual. Você descreveu isso como uma dança e é exatamente isso. A fumaça saindo densa e você controlando o ritmo da respiração dele. Sorte do Ted.
ResponderExcluirEu garantia que ela soubesse o quão sortudo ele era kkkk
ExcluirO que eu mais amo nos seus textos é como você descreve o ambiente. A "madeira fria" contra a coxa e o "vestido subindo" criaram o palco perfeito pra você acender. É incrível como o cigarro numa praça, à noite, cria uma bolha só nossa, né? "Uma névoa que era mais minha do que do mundo". Amei essa frase.
ResponderExcluirPor isso ainda tento fazer todo dia, mas se não for na praça vai onde estiver rsrsrs
ExcluirA melhor parte é a submissão silenciosa do Ted. Quase devotos. Ele sabia que não podia fazer nada além de assistir. Fumar na frente de alguém que te deseja desse jeito, num lugar público, dá uma adrenalina diferente. Consigo imaginar o brilho da brasa iluminando seu rosto e o olhar dele fixo na sua boca.
ResponderExcluirConcordo, obrigada
ExcluirAmo como o ritual de tirar o cigarro da bolsa sem pressa é o que dita o ritmo do encontro. A fumaça servindo de ponte entre os joelhos que se tocam. Texto maravilhoso, Joyce. Deu vontade de acender um agora mesmo relendo isso.
ResponderExcluirTe acompanho, estou fumando agora mesmo
ExcluirO espaço necessário para o desejo respirar. Você escreve com uma sensualidade absurda. A tragada profunda logo de cara sem cerimônia mostra a urgência que estava ali, disfarçada de calma. Essa mistura de elegância e vício explícito na praça é hipnotizante.
ResponderExcluirObrigada
ExcluirSempre compro o Black!!
ResponderExcluirPena que é fraco
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