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A Euforia Pós-sexo (29)

O hotel parecia existir apenas na memória de quem o olhava. A fachada, desbotada, ignorava o mundo com sua porta sempre fechada, indiferente à transição entre o dia e a noite. Ted pagou o quarto antecipadamente, passando as notas amassadas para a mão da mulher na recepção. O som da sua televisão, abafado e constante, competia com o ruído da nossa conversa fragmentada. Atrás do balcão, ela nem sequer ergueu os olhos; apenas deslizou a chave sobre a superfície enquanto a luz fluorescente piscava, intermitente.

No interior, um quarto de paredes finas e janela sem cortina deixava o frio entrar sem resistência; feitas, apenas para ouvir, não para proteger. Não havia silêncio, apenas uma suspensão inquietante de ruídos. A luz amarela expunha a tinta descascada, fazendo o ambiente parecer mais antigo do que realmente era. Os poucos móveis tinham o ar exausto de quem já serviu a muitos corpos que nunca voltaram. Nada ali existia para confortar.

Não sei dizer quando a noite começou a se desmanchar. O relógio na parede estava atrasado, mas seu tique mecânico denunciava que o tempo ainda corria, vivo como a umidade no teto.

Olhando para Ted, lembrei de quando ele me convenceu a assistir “Grease”. Eu me mantive indiferente à alegria das músicas até a cena final. Sandy, antes tão correta, surgia transformada em couro justo e lábios vermelhos. Não precisei de explicação. Aquilo não era sobre rebeldia juvenil, mas sobre atravessar a linha invisível entre obedecer e desejar. O gesto dela ao segurar o cigarro dizia tudo o que as palavras não conseguiam, e eu entendi por que ele queria que eu visse aquela cena.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. O que dizia para seus pais para poder passar a noite fora?

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  2. Conforme já contei na postagem “Iniciando a Vida Sexual (38)”, havia um dia da semana em que eu saía muito tarde do trabalho e precisava estar de volta muito cedo no dia seguinte. O intervalo era pequeno demais para justificar uma viagem tão longa até em casa.

    Foi então que o Ted sugeriu o hotel que ele costumava usar nesses dias. No início, eu dormia sozinha em um quarto. Com o tempo, a única mudança foi que passei a dividir esse espaço com ele.

    Obrigada pela atenção.

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  3. Nossa Joyce, que texto vc descreve as coisas de um jeito que a gente sente o cheiro do lugar. E essa referência de Grease?? Pqp, foi exatamente nessa cena que eu descobri que curtia ver mulher fumando. A Sandy mudando a postura, segurando o cigarro daquele jeito. O Ted sabia oq tava fazendo rs. Fiquei imaginando o contraste de vc toda chique nesse lugar caindo aos pedaços.

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  4. O relógio atrasado e o tique taque caramba. Deu até um arrepio. Mas o melhor foi o final. "Atravessar a linha entre obedecer e desejar". Profundo isso. Qnd vc solta a fumaça parece que ta mandando o mundo se fuder. Adoro isso em vc.

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  5. Grease é tudo!!! A Olivia Newton John de couro e cigarro na boca é meta de vida.

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  6. Não consigo dormir, só você pra me fazer companhia nessa madrugada rsrs

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