O hotel parecia existir apenas na
memória de quem o olhava. A fachada, desbotada, ignorava o mundo com sua porta
sempre fechada, indiferente à transição entre o dia e a noite. Ted pagou o
quarto antecipadamente, passando as notas amassadas para a mão da mulher na
recepção. O som da sua televisão, abafado e constante, competia com o ruído da
nossa conversa fragmentada. Atrás do balcão, ela nem sequer ergueu os
olhos; apenas deslizou a chave sobre a superfície enquanto a luz fluorescente
piscava, intermitente.
No interior, um quarto de paredes
finas e janela sem cortina deixava o frio entrar sem resistência; feitas,
apenas para ouvir, não para proteger. Não havia silêncio, apenas uma suspensão
inquietante de ruídos. A luz
amarela expunha a tinta descascada, fazendo o ambiente parecer mais antigo do
que realmente era. Os poucos móveis tinham o ar exausto de quem já serviu a
muitos corpos que nunca voltaram. Nada ali existia para confortar.
Não sei dizer quando a noite
começou a se desmanchar. O relógio na parede estava atrasado, mas seu tique
mecânico denunciava que o tempo ainda corria, vivo como a umidade no teto.
Olhando para Ted, lembrei de
quando ele me convenceu a assistir “Grease”. Eu me mantive indiferente à
alegria das músicas até a cena final. Sandy, antes tão correta, surgia
transformada em couro justo e lábios vermelhos. Não precisei de explicação.
Aquilo não era sobre rebeldia juvenil, mas sobre atravessar a linha invisível
entre obedecer e desejar. O gesto dela ao segurar o cigarro dizia tudo o que as
palavras não conseguiam, e eu entendi por que ele queria que eu visse aquela
cena.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

O que dizia para seus pais para poder passar a noite fora?
ResponderExcluirConforme já contei na postagem “Iniciando a Vida Sexual (38)”, havia um dia da semana em que eu saía muito tarde do trabalho e precisava estar de volta muito cedo no dia seguinte. O intervalo era pequeno demais para justificar uma viagem tão longa até em casa.
ResponderExcluirFoi então que o Ted sugeriu o hotel que ele costumava usar nesses dias. No início, eu dormia sozinha em um quarto. Com o tempo, a única mudança foi que passei a dividir esse espaço com ele.
Obrigada pela atenção.
Nossa Joyce, que texto vc descreve as coisas de um jeito que a gente sente o cheiro do lugar. E essa referência de Grease?? Pqp, foi exatamente nessa cena que eu descobri que curtia ver mulher fumando. A Sandy mudando a postura, segurando o cigarro daquele jeito. O Ted sabia oq tava fazendo rs. Fiquei imaginando o contraste de vc toda chique nesse lugar caindo aos pedaços.
ResponderExcluirO relógio atrasado e o tique taque caramba. Deu até um arrepio. Mas o melhor foi o final. "Atravessar a linha entre obedecer e desejar". Profundo isso. Qnd vc solta a fumaça parece que ta mandando o mundo se fuder. Adoro isso em vc.
ResponderExcluirGrease é tudo!!! A Olivia Newton John de couro e cigarro na boca é meta de vida.
ResponderExcluirNão consigo dormir, só você pra me fazer companhia nessa madrugada rsrs
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