Desde o bar, Sofia andava
distante, mas naquela manhã ela se reaproximou. Eu a vi antes que ela me visse.
Estava parada na esquina da padaria, fumando com aquela elegância que sempre me
incomodou e me fascinou ao mesmo tempo. Usava uma calça de alfaiataria preta,
ankle boots de camurça sintética com amarrações que cruzavam o peito do pé e
subiam pelo cano, e uma blusa de crepe verde sob um blazer leve, cortado à
altura da cintura.
Quando nossos olhares se cruzaram, ela sorriu.
Aproximou-se devagar, lançou o cigarro ao chão e o apagou
coma ponta do salto fino. Perguntou como eu estava. Seu olhar percorreu meu
rosto, meu pescoço, a forma que eu segurava a bolsa. Disse que eu parecia mais
firme, com uma ponta de surpresa na voz.
[Sofia]

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