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Cai o Pano (11)

O dia se revelou tão previsível quanto eu imaginara. Minha mente vagou durante os minutos que se arrastaram até que, enfim, deixei aquela sala abafada. Precisava de ar, de céu aberto, de qualquer coisa que não carregasse o cheiro de ambição fracassada.

Peguei a bolsa, atravessei o corredor e segui até o jardim com um copo de café. O ar fresco me alcançou de imediato, úmido, aliviando por um instante a rotina do prédio.

Avançava concentrada nesse alívio, bebendo o café ainda quente, quando vozes conhecidas me fizeram parar. Encostados no tronco de uma árvore, estavam Ted e Sofia, envolvidos em uma conversa baixa. Ele gesticulava com cuidado; ela fumava, a cabeça inclinada e os cabelos recortados pela luz que atravessava as folhas.

Fiquei imóvel, fora do campo de visão deles. O café em minha mão foi perdendo o calor. Os sussurros do corredor voltaram à memória, misturando-se ao que eu ouvia. Ted vai se cansar logo. A frase deixou de ser apenas despeito alheio e se impôs como algo inevitável, ali, diante de mim.

Primeiro ouvi o som do riso dele, contido. Depois, trechos de frases que, aos poucos, se organizavam. Achei ouvir meu nome, ou ao menos algo que me designava; depois, tenho certeza, a expressão projeto de mulher, transformando-me em um molde abandonado. Ele disse que eu lhe parecia uma menina de quinze anos, insegura, ainda tropeçando. As palavras chegavam partidas, mas claras: inacabada, sem graça, digna de pena. Vi os dois se aproximarem mais do tronco, e a aspereza da madeira pareceu ampliar meu próprio desconforto.

Sofia falou em seguida: segura, direta, em alto e bom tom. Disse não entender por que estávamos juntos. A imagem que escolheu, uma freira correndo atrás do Marquês de Sade, me reduziu a algo risível, uma personagem mal escrita.

As respostas dele me pareceram vir lentas, pausadas: boba, puritana. Não percebi raiva nem exaltação, apenas ternura perversa. Ali, longe do meu alcance, sua crueldade era despojada de qualquer máscara.
Quando a lucidez chegou, não trouxe conforto, mas um silêncio interno. Hoje não sei distinguir o que ouvi do que completei.

Despejei o resto do café na terra e deixei o copo para trás. Voltei por um caminho mais longo. A pessoa que se inflara de orgulho com os sussurros agora murchava com eles. Não discutiam quem eu era, mas a ideia que Ted criara; e à qual eu não conseguia corresponder.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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