O chamado veio no entardecer, quando a equipe já pertencia a outro turno. A secretária aproximou-se da minha mesa com um papel na mão, um gesto breve, sem olhar nos olhos. A direção solicitava a minha presença.
No corredor, apenas silêncio. Entrei na sala. Ninguém se levantou. Nenhuma cadeira foi oferecida. Sentei-me. O espaço era amplo, mas sem personalidade: cortinas fechadas, um cheiro de guardado, pastas empilhadas em excesso. O anúncio foi feito com a frieza burocrática: meu contrato havia chegado ao fim.
Não houve explicações nem justificativas. Apenas frases concisas, polidas, pedras atiradas em um lago seco. Senti um leve deslocamento. Ouvi tudo sem interromper, a cabeça levemente inclinada, o olhar fixo em um ponto da parede, onde uma rachadura quase invisível se abria. Assenti, sem questionar. Um último ato de dignidade: não oferecer resistência.
De volta à minha mesa, cada objeto ganhou um relevo inesperado: o grampeador, os clipes, o copo com canetas. Recolhi minhas coisas em silêncio. O som dos papéis entrando na bolsa foi a trilha sonora da minha desaparição. Nenhum colega se aproximou. Nem mesmo Ted, que já havia ido embora há horas.
Fechei o escaninho e atravessei o corredor, a bolsa ainda pendurada no ombro. Eu já não pertencia àquele espaço. Respirei fundo, mas o mundo não me devolveu explicações, apenas uma inevitável subtração.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
Que triste
ResponderExcluirDia difícil
ResponderExcluirVcs são a razão de eu viver
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