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Cai o Pano (14)

Caminhei até o banheiro do fundo. A porta se fechou atrás de mim. As luzes brancas vibravam levemente. O cheiro agressivo de desinfetante pairava no ar.

A pia estava vazia, os espelhos manchados por respingos antigos. Apoiei as mãos no mármore gelado, o peso do corpo cedendo. O corpo reagiu antes da mente. O estômago revirou sem aviso. Sem escolher uma cabine, curvei-me sobre o vaso mais próximo, os joelhos tocando o piso frio. Vomitei em jatos curtos e ácidos, expelindo não o que comera, mas a manhã, o medo, o papel assinado, o escaninho vazio. Cada contração parecia arrancar um pedaço silencioso de quem eu era. O peito arfava em soluços convulsos e desordenados.

Sentei-me no chão, encostada à parede. As lágrimas vieram de repente, pesadas e intensas, sem intervalo. O rosto encharcado, o corpo tremendo. As lágrimas escorriam descontroladamente, manchando a maquiagem barata e misturando-se à saliva amarga que ainda insistia na boca. As mangas grudavam na pele úmida. Senti o cheiro do meu próprio suor misturado ao perfume barato do sabonete.

Levantei-me com esforço e encarei o espelho. A mulher que me olhava tinha os olhos vermelhos e a boca trêmula; parecia alguém que eu encontraria na rua, não alguém que eu pudesse ser. Por um instante, senti pena dela. Por um instante, achei que fosse desmaiar.

Segurei a borda da pia com força. Respirei fundo, repetidas vezes. A lâmpada zumbia no teto, indiferente. Sozinha, no coração do banheiro, eu me desfiz por inteira.

Saí sem me despedir. Passei pelo corredor, pela porta, pelo saguão, tudo sem que ninguém levantasse os olhos. Tive a impressão de que o prédio respirava às minhas costas, aliviado pela minha ausência.

No meio-fio, parei e respirei. A sensação não era de perda, mas de dissolução.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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