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Cai o Pano (17)

Desci do ônibus por impulso, antes do meu ponto habitual. O fim de tarde, seco e avermelhado, ainda carregava o calor do dia, mas o vento já trazia consigo o frio que arrepiava a pele. Caminhei sem destino, com vontade de sumir antes de cruzar a soleira da porta.

Busquei o maço de cigarros dentro da bolsa. Meus dedos tatearam o fundo, entre papéis amassados e moedas soltas. Quando o encontrei, estava vazio. A constatação de que até meu pequeno ato de rebeldia tinha um limite me deixou infantilmente à mercê do crepúsculo.

A praça apareceu à frente. Árvores antigas avançavam com raízes sobre o chão. Escolhi um banco sob um ipê amarelo explodindo em flor; as pétalas cobriam o cimento avermelhado.

À frente, a fonte erguia-se num estrado circular de tijolos. Colunas sustentavam um teto abobadado. Da água morna subia um leve vapor, e o cheiro sulfuroso se misturava ao ar frio.

Olhei ao redor. Uma senhora atravessava uma ponte com guarda-corpos de concreto que imitavam troncos de árvores entrelaçados. Mais adiante, uma criança corria sob um salgueiro-chorão, fazendo as folhas se moverem a cada passagem.

Esfreguei uma flor sob meus pés até desfazê-la. Fechei os olhos. O som da fonte virou uma pulsação contínua. Ao abri-los, ergui-me devagar, dei alguns passos e mergulhei as mãos na água morna. A noite começava a se impor. Ao longe, meu quarto me chamava e eu hesitava em atender.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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