Peguei o celular com as mãos
trêmulas, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Fechei a porta, sentindo o peito
subir e descer descontroladamente. Disquei o número de Ted, limpando o nariz
com as costas da mão. Cada toque parecia interminável. Quando ele atendeu, as
palavras saíram atropeladas. Pedi desculpas, implorei que entendesse que a
fúria do meu pai não era para ser levada a sério, que eu tinha sido forçada a
fazer aquilo. Eu só queria que Ted soubesse que não era pessoal, que tudo
passaria. Mais do que qualquer coisa, eu precisava que ele não ficasse com
raiva, que me perdoasse.
O celular escorregou do meu colo
quando minhas mãos perderam a força. Encostada à porta, sentia o frio do chão
subir pela pele, enquanto o ar ficava espesso e lento dentro dos pulmões. A luz
do quarto parecia vacilar, e os sons do corredor chegavam distantes. Um peso
invisível me puxava para fora, para um lugar em que eu não existia. Entre um
batimento e outro do coração, apenas o vazio oscilante onde eu não era mais o
que fora, nem ainda o que precisava ser.

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