Cheguei em casa mais tarde do que
devia, carregando uma pasta fina, mas cheia de promessas vazias. Minha mãe
estava no meio da sala, de braços cruzados. Meu pai, no sofá, com o rosto
fechado. Eles disseram que eu não estava procurando emprego, que tinha saído
para passear. Tentei explicar que sim, que tinha distribuído currículos o dia
todo.
Minha mãe me interrompeu e disse
que a vizinha me vira com um rapaz. Respirei fundo e disse que não havia nada
de errado nisso, que eu estava, sim, procurando trabalho. Meu pai ergueu a
sobrancelha. As acusações continuaram, cada vez mais dolorosas: preguiçosa,
mentirosa, perdida. Eu apenas fiquei de pé, imóvel.
O momento se desfez sem nenhuma
resolução. Meu pai retornou à sua programação, e minha mãe se retirou para o
quarto. Passei a noite repetindo a cena com Ted na cabeça. Achei que me
sentiria aliviada depois de jogar o maço fora. Em vez disso, veio um vazio
insuportável. Quanto mais eu tentava esquecer, mais o rosto dele me aparecia.

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