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Cai o Pano: A Descoberta dos Pais (02)

Levantei-me lentamente. Alisei o cabelo com as mãos trêmulas e respirei fundo. Era um teatro que eu dominava com perfeição: o sorriso contrito, os ombros ligeiramente curvados, o olhar baixo. Era mais fácil assim.

Eu lhes disse que havia trocado minha bolsa com a de uma colega no trabalho. As bolsas não eram parecidas, mas eu havia saído tão cansada que não prestei atenção. Ela havia me ligado desesperada, precisando de seus documentos para resolver algo, e tínhamos marcado a troca em um bar.

Meu pai pigarreou e me disse que eu já tinha passado da hora de amadurecer. Forcei um sorriso, daqueles que havia aperfeiçoado ao longo dos anos. Minha mãe suspirou e disse que agora eu devia arrumar aquela bagunça.

Meus pais me observavam com aquela mistura de alívio e desaprovação. Eles estavam satisfeitos por eu ter voltado ao script.

Minha mãe murmurou que assim estava melhor, ajustando uma mecha do próprio cabelo num gesto nervoso. Continuei sorrindo.

Meu Deus, Joyce — disse ela. — Você está horrível. Toda pálida. E esses olhos? Parece um fantasma.

Eles saíram do quarto murmurando entre si, e a porta se fechou. A cena havia terminado.

Silêncio.

Recolhi a colcha, o edredom, as bonecas e arrumei a cama. Aos poucos, o quarto se tornou inofensivo, domesticado.

A observação final da minha mãe, “Parece um fantasma”, pairou no ar, uma verdade não intencional que me definia com mais precisão do que qualquer outra palavra. Era isso que eu era: um fantasma na minha própria vida.


"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Neste dia, chegou a passar pela cabeça de abondonar tudo, deixar o Ted, parar de fumar? Ou parar de fumar já não era mais uma opção?

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    1. Sim, pensei nisso em diversos momentos. Mas, desta vez, eu estava mais preocupada com a sensação de não caber mais na minha própria vida.

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  2. Essa coisa de "atuar" pros pais a gente conhece bem demais. Minha mãe tbm é assim, prefere acreditar na mentira arrumadinha do que ver q a gente ta um caco por dentro. Vc escreve mt bem.

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  3. Isso fala profundamente sobre a pressão familiar e a persona que criamos para sobreviver. Os pais "satisfeitos por eu ter voltado ao script" é de uma crueldade tão real. Eles preferem a filha mentirosa e "adequada" à filha real, seja ela qual for.

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    1. Você tem o dom de entender tudo perfeitamente, sempre.

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