Pular para o conteúdo principal

Cai o Pano: A Descoberta dos Pais (06)

Ted me ignorou o dia inteiro, passando pelos corredores sem me notar. Quando alguém lhe perguntava sobre a camiseta, ele encolhia os ombros e dizia que devia ser coincidência, que eu provavelmente tinha uma igual.

Enquanto isso, meu corpo falava. Falava na palidez que minha mãe detestava e na tensão que transparecia em comentários baixos. Falava num impulso difícil de conter: um desejo bruto de ser.

Após o fim do expediente, segui para a saída. Duas mulheres cochichavam, inclinadas uma na outra. Não desviei o rosto e, estranhamente, em vez de me encolher, caminhei mais ereta. Havia um sabor novo naquela desaprovação, algo que me devolvia uma existência própria.

Nos dias seguintes, Ted manteve sua distância profissional habitual. Nossa verdadeira conexão se manifestava nas brechas do dia a dia: no ônibus, pela manhã, ele adormecia em meu ombro; nas tardes, conversávamos, imersos em nosso próprio mundo. E eu, a cada instante, aguardava ansiosa pelo fim de semana, desejando deixar para trás os olhares dos colegas e as identidades que já não me serviam, enquanto me perguntava: quem era Joyce quando não estava performando para ninguém?

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Eu ficou com vergonha, não sou a Joyce. Mas atendendo ao pedido vou tentar.
    Meu primeiro contato foi por volta dos 12 anos. Eu morava em uma rua onde o pessoal se reunia no meio-fio depois da escola, e alguns mais velhos, de vez em quando, apareciam com um cigarro. No início, eu era apenas o suporte: segurava o cigarro para os outros, acendia, passava, mas era raro. Até que um dia me desafiaram: "puxa aí, não vai morrer". Fui na onda. Puxei, tossi horrores, a galera riu e a vida seguiu.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Karina depois desse dia quanto depois vc tentou fumar de novo? Quanto demorou para vc aprender a tragar?

      Excluir
  2. Gostei Karina.
    E Joyce:
    "Falava num impulso difícil de conter: um desejo bruto de ser."
    Adoro seu texto!

    ResponderExcluir
  3. Anna ♥️♥️♥️.
    Usei o chat gpt pra corrigir a gramática rsrs
    Estou só esperando o comentário 😤

    ResponderExcluir
  4. Karina legal contar suas experiências com cigarro. As próximas vezes que for contar aqui aos poucos vai perder a vergonha. Porque a sensação de fumar é indescritível

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Prazer...

Meu nome é Joyce (pelo menos por aqui rsrsrs). Simples assim. Sem segredos no nome, embora eu os tenha de sobra na alma. Tenho entre 30 e 40 anos, e um currículo impecável em todas as áreas que não envolvam vida social. Até os 25 nunca namorei. Nunca fui popular. Nunca fui o tipo de mulher que alguém olha duas vezes na rua e, sinceramente, por muito tempo achei que isso era uma virtude. Fui criada numa família onde aparência valia mais que afeto, e onde ser uma "boa moça" era o destino final, não o ponto de partida. Cresci achando que desejo era uma espécie de doença e que o silêncio era a linguagem mais segura. E talvez tenha sido mesmo. Pelo menos até eu conhecer Ted. Mas não quero parecer trágica. Trágico é o que nunca muda. E eu, bom, eu mudei. Ou estou tentando. É por isso que resolvi contar essa história. Porque às vezes é preciso escrever para entender. E às vezes é preciso acender o primeiro cigarro para, enfim, respirar. [Essa foi a primeira foto que tirei fumando,...

O Dia em que Fumei Pela Primeira Vez (7)

Na volta para casa, depois do almoço, porque na sexta só trabalhávamos pela manhã, passei mais uma vez em frente à tabacaria. Parei por mais tempo na vitrine. É só um maço , pensei. Não significa que vou virar fumante. É só... uma experiência . Mas não entrei. Não ainda . Dei uma volta no quarteirão. A ansiedade aumentava a cada passo, até que, sem nem perceber, meus pés me levaram de volta até a porta da loja. Parei por apenas alguns segundos, respirei fundo e entrei. O coração batia como se eu estivesse prestes a cometer um crime. Lá dentro, o cheiro de tabaco e papel, que eu esperava detestar, me trouxe um estranho conforto. O homem no balcão me olhou com curiosidade discreta. "Boa tarde. Posso ajudá-la?" " Marlboro Light", respondi, com uma firmeza que me surpreendeu. "Maço comum ou carteira?" Não fazia ideia da diferença. "Comum", arrisquei. "Vai precisar de isqueiro?" Isqueiro. Como não pensei nisso? "Sim, por fav...

Bem-vindos ao Novo Lar do Smoking Fetish no Brasil!

 É com imensa satisfação que inauguramos este espaço dedicado a todos os entusiastas e curiosos do smoking fetish no Brasil! Há muito tempo, percebemos uma lacuna na comunidade: o antigo blog "smokingfetishbrasil", embora tenha sido um ponto de encontro importante, foi infelizmente abandonado há anos. Comentários se acumularam, ultrapassando a marca dos 500 em muitas postagens, transformando a discussão em um emaranhado difícil de seguir e participar. Pensando nisso, criamos este blog com um propósito claro: facilitar a reunião e a troca de ideias entre as pessoas . Queremos que este seja um ambiente novo e vibrante onde todos possam se sentir à vontade para compartilhar suas perspectivas, discutir sobre o tema e se conectar com outros que compartilham esse interesse. Nosso objetivo é proporcionar uma plataforma intuitiva e dinâmica, onde os comentários sejam organizados e as conversas fluam naturalmente. Chega de se perder em centenas de respostas; aqui, a interação será si...