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Mentor Imperfeito (5)

O som da água corrente deixou de ser um mero ruído branco e se transformara em algo convidativo. Levantei-me, as pernas trêmulas e geladas, e me aproximei em silêncio da porta entreaberta do banheiro. Um vapor morno escapava, carregando o cheiro limpo do sabonete do hotel. Espiei.

Ted estava debaixo da ducha, cabeça baixa, ombros largos e tensos. Ali encontrei um ponto firme em meio ao caos. A água escorria lentamente pelas suas costas, delineando a coluna, lavando o pó e o cansaço. Ele não me ouviu.

Entrei e apoiei-me no balcão da pia, soltando a fumaça devagar. Ele se virou, interrompendo o curso da água. Os olhos carregados encontraram os meus, depois desceram até o cigarro entre meus dedos. Não disse nada, apenas observou.

Dei uma longa tragada, sentindo o fumo nos pulmões. Anestesiante. Com a outra mão, comecei a tirar a roupa, que deslizou pelos meus braços e caiu no chão encharcado.

Levei o cigarro aos lábios novamente. A fumaça desceu pela garganta, preencheu meus pulmões, e a soltei devagar. A névoa branca se misturou ao vapor do chuveiro, envolvendo nós dois.

Nua, o vapor formando pequenas pérolas sobre minha pele, dei mais um passo. O ar quente me envolveu. Ted levou as pontas molhadas e quentes dos dedos ao meu rosto, tocando minha têmpora, descendo pela linha da mandíbula.

Outra tragada, mais lenta. Inclinei a cabeça para trás e deixei a fumaça sair em finos fios. Os olhos dele seguiam cada movimento: o cigarro subindo aos meus lábios, a brasa acesa brilhando úmida, minhas bochechas se afundando, a fumaça escapando da minha boca entreaberta.

Ele deu um passo à frente e desceu o rosto no meu pescoço, a boca encostando na pele. Respirou fundo, inalando o cheiro de tabaco que grudava em mim. Suas mãos subiram devagar; eu deixei. O calor da água, o toque dele, a fumaça, tudo me envolvia, me acalmava.

Fumei mais, segurando sua nuca com a mão livre, mantendo-o ali. A cada tragada, suas mãos apertavam minha cintura com mais força. Aproximei o cigarro dos nossos rostos, deixando que ele sentisse o calor da brasa, e soprei a fumaça lentamente contra seus lábios entreabertos.

Levei o cigarro aos lábios pela última vez, tragando com coragem antes de soltar a bituca no chão molhado. Adentrei aquele espaço mínimo e o envolvi. Meu corpo colou-se ao seu: os seios pressionando suas costas, a barriga contra o dorso molhado.

A água caía sobre nós, unindo-nos. Senti meus seios enrijecerem, e minhas palmas descobriram a textura úmida de sua pele. Ele inclinou a cabeça para trás, encaixando-a no meu ombro. Era um ritual, um pacto no silêncio.

[Ted era apaixonado pela commedia dell'arte. E eu, pelo Carnaval! Acho que encontrei o crossover perfeito. 😉] - Joyce


"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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