Acordei com o som da porta se
fechando. Fiquei deitada, olhando o teto. O quarto ainda guardava o cheiro de
tabaco e suor. A luz entrava pelas frestas da cortina, cortando o ambiente em
fatias de claridade e sombra. Lá fora, a cidade acordava para mais um dia que
não me incluía.
Levantei devagar. Lavei o rosto.
Era estranho ver-me assim, com o coração em desalinho, sem a força emprestada
de sua presença. Tomei um banho demorado, deixando a água cair até a pele ficar
vermelha e dolorida. Vesti a mesma roupa, ainda úmida, era tudo o que me
restava.
Sentei na cama. Deitei de novo.
Voltei a sentar. As horas se arrastavam. Pensei na minha tia; era o único fio
ao qual podia me agarrar.
Saí no horário combinado. A
cidade era puro movimento. A rodoviária ficava perto. Caminhei devagar, pernas
fracas, corpo pesado. As pessoas iam e vinham carregando malas, correndo para
não perder a partida. Procurei um lugar de onde pudesse vê-lo chegar e
sentei-me num banco de concreto em frente à plataforma de desembarque.
Ted surgiu de um dos corredores, mochila às costas, a fadiga estampada no rosto. Levantei-me. Ele me viu, parou à minha frente, tocou levemente meu braço. Ficamos ali em pé, no meio do movimento da rodoviária: um ponto de calma numa cidade que não me queria.

Comentários
Postar um comentário