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Mentor Imperfeito (6)

Acordei com o som da porta se fechando. Fiquei deitada, olhando o teto. O quarto ainda guardava o cheiro de tabaco e suor. A luz entrava pelas frestas da cortina, cortando o ambiente em fatias de claridade e sombra. Lá fora, a cidade acordava para mais um dia que não me incluía.

Levantei devagar. Lavei o rosto. Era estranho ver-me assim, com o coração em desalinho, sem a força emprestada de sua presença. Tomei um banho demorado, deixando a água cair até a pele ficar vermelha e dolorida. Vesti a mesma roupa, ainda úmida, era tudo o que me restava.

Sentei na cama. Deitei de novo. Voltei a sentar. As horas se arrastavam. Pensei na minha tia; era o único fio ao qual podia me agarrar.

Saí no horário combinado. A cidade era puro movimento. A rodoviária ficava perto. Caminhei devagar, pernas fracas, corpo pesado. As pessoas iam e vinham carregando malas, correndo para não perder a partida. Procurei um lugar de onde pudesse vê-lo chegar e sentei-me num banco de concreto em frente à plataforma de desembarque.

Ted surgiu de um dos corredores, mochila às costas, a fadiga estampada no rosto. Levantei-me. Ele me viu, parou à minha frente, tocou levemente meu braço. Ficamos ali em pé, no meio do movimento da rodoviária: um ponto de calma numa cidade que não me queria.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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