Ted segurou meus ombros com as
duas mãos e me balançou de leve, o suficiente para eu parar de mexer por um
segundo. Ele se posicionou em frente ao meu rosto, forçando meus olhos a
encontrarem os dele. A voz saiu firme, sem raiva, sem pena:
— Não adianta. Eu nunca vou te
abandonar.
As palavras me atingiram direto
onde doía. Quis gritar, quis empurrá-lo. Mas não consegui. Só fiquei ali
parada, olhando para ele, sentindo o calor de suas mãos atravessando minha
blusa.
Ele me puxou para perto. Deixei a
testa afundar em seu peito, onde sentia o coração bater devagar, compassado.
Tentei me guiar por aquele ritmo, inspirando quando ele inspirava, soltando o
ar quando ele soltava. Aos poucos, as bordas da minha visão clarearam.
Afastei-me um pouco, sequei o
rosto com as costas da mão e olhei para o Ted. Ele não fez perguntas. Apenas
esperou.
Devagar, Ted retirou as mãos dos
meus ombros. Seus olhos buscaram algo no meu rosto e, fitando-me com firmeza,
disse que deveríamos caminhar um pouco.
Aquilo não era um convite, e sim
algo que precisava acontecer.
O segui pela calçada com meu andar claudicante. Ele, sem olhar para trás, refreava o passo sempre que a distância entre nós se estendia. Nossa pequena deriva pela rua vazia continha o teor da conversa que não acontecia; aquele andar mecânico era um meio discreto de estabilizar o que em mim colapsava.
Diante da uma fachada verde-escura, Ted se deteve ao se dar conta de algo que havia lhe escapado até então. Observou a porta por um instante. O letreiro, gasto pelo sol, dava a impressão de que o lugar estava esquecido pela rua.

"Eu nunca vou te abandonar" é a frase que todo mundo quer ouvir mas que da um medo danado quando a gente ta toda quebrada por dentro... parece um compromisso que a gente nao sabe se consegue carregar. Fiquei curiosa com essa fachada verde, o que tem ai atras dessa porta?? Posta logo o resto pfv!
ResponderExcluirrsrsrs
Excluir"não era um convite, e sim algo que precisava acontecer". cara, que escrita foda. vc descreve mto bem essa sensaçao de ser guiada pela vontade do outro pq a nossa simplesmente sumiu.
ResponderExcluirObrigada
ExcluirO andar claudicante... me vi direitinho nessa cena. Quando o corpo nao obedece mais a mente. Ted é um anjo ou um peso na sua vida Joyce?
ResponderExcluirEu diria que os dois. Um humano mortal com todas as suas falhas.
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