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Mentor Imperfeito (12)

Parei diante do prédio. Sua fachada alta erguia-se em fileiras de janelas idênticas, escalando o concreto bege e branco. O térreo, porém, era uma barreira sólida de tijolos marrons, separando a vida privada da rua. Abriguei-me sob o toldo escuro e curvado que protegia a entrada. As grades brancas do portão, verticais e rígidas, impunham um limite que eu hesitava em cruzar.

Estendi a mão até o interfone preto fixado na parede de tijolos. Meu dedo pairou sobre o botão. Trêmulo. Paralisado. O simples receio de anunciar minha presença bastou para me congelar.

Fiquei ali. Parada. Olhando. O silêncio do trânsito preenchendo o vazio da minha inércia.

Pressionei o botão. O som fraco do interfone cortou o silêncio antes de se perder no corredor interno do prédio. Esperei. Uma voz calma, direta, perguntou quem eu era. Por um instante, hesitei. Disse meu nome. A palavra pairou no ar. Estranha e insuficiente. Carregava apenas um fragmento daquilo que eu fora. Ou daquilo que eu temia ser.

Quando o ruído metálico abriu o caminho, entrei. O corredor tinha luzes amareladas que falhavam aos poucos, uma sequência de clarões curtos acompanhando meus passos, anunciando minha chegada. O elevador subia devagar. Dentro dele, segurei o livro contra o peito, uma barreira frágil contra o que me esperava.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. O que é real na imagem? quer dizer o que é da foto original o que é da versão artistica? Você colocou o cigarro depois?

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    Respostas
    1. Exato! Tanto o cigarro quanto o maço foram inseridos pela IA; o resto está apenas estilizado.

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  2. "Carregava apenas um fragmento daquilo que eu fora". Essa frase me matou. 💔

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