Parei diante do prédio. Sua
fachada alta erguia-se em fileiras de janelas idênticas, escalando o concreto
bege e branco. O térreo, porém, era uma barreira sólida de tijolos marrons,
separando a vida privada da rua. Abriguei-me sob o toldo escuro e curvado que
protegia a entrada. As grades brancas do portão, verticais e rígidas, impunham
um limite que eu hesitava em cruzar.
Estendi a mão até o interfone
preto fixado na parede de tijolos. Meu dedo pairou sobre o botão. Trêmulo.
Paralisado. O simples receio de anunciar minha presença bastou para me
congelar.
Fiquei ali. Parada. Olhando. O
silêncio do trânsito preenchendo o vazio da minha inércia.
Pressionei o botão. O som fraco
do interfone cortou o silêncio antes de se perder no corredor interno do
prédio. Esperei. Uma voz calma, direta, perguntou quem eu era. Por um instante,
hesitei. Disse meu nome. A palavra pairou no ar. Estranha e insuficiente.
Carregava apenas um fragmento daquilo que eu fora. Ou daquilo que eu temia ser.
Quando o ruído metálico abriu o
caminho, entrei. O corredor tinha luzes amareladas que falhavam aos poucos, uma
sequência de clarões curtos acompanhando meus passos, anunciando minha chegada.
O elevador subia devagar. Dentro dele, segurei o livro contra o peito, uma
barreira frágil contra o que me esperava.

O que é real na imagem? quer dizer o que é da foto original o que é da versão artistica? Você colocou o cigarro depois?
ResponderExcluirExato! Tanto o cigarro quanto o maço foram inseridos pela IA; o resto está apenas estilizado.
Excluir"Carregava apenas um fragmento daquilo que eu fora". Essa frase me matou. 💔
ResponderExcluir❤️❤️❤️❤️
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