Quando terminei, ela pousou o copo sobre a mesa e ficou olhando para o fundo do vidro por um momento. O rádio continuava tocando baixinho, agora com Meu Primeiro Amor de Cascatinha & Inhana, preenchendo as lacunas da conversa.
“Você
nem sequer se lembra / De ouvir a voz desse sofredor / Que implora por seu
carinho / Só um pouquinho do seu amor.”
Com
os olhos ainda na mesa, ela falou que eu precisava tentar reaver meus documentos,
que devia voltar lá e tentar, já que não tinha nada a perder. Então perguntei
por que ela estava me ajudando.
Ela
ficou em silêncio por um instante antes de responder.
“Nesta
solidão / Sem ter alegria, o que me alivia são meus tristes ais / São prantos
de dor que dos olhos caem / É porque bem sei, quem eu tanto amei não verei
jamais.”
Então,
olhou para mim e disse apenas que o fazia porque ninguém tinha feito por ela.
Não
ousei acrescentar nada. Não havia espaço para explicações ou drama. Era uma
verdade entregue com sobriedade. Terminamos o café ao som do rádio.

"Porque ninguém tinha feito por ela." 😭 Ela tá transformando a dor dela em amor pra você. Isso é a coisa mais linda que eu li nesse blog até hoje.
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Excluir"O que me alivia são meus tristes ais" essa letra é muito sofrida.
ResponderExcluirIsso, isso
ExcluirGente, eu não conhecia essa música, fui ouvir agora e tô chorando kkkkk. Joyce, sua tia é mto maravilhosa. "Fiz pq ninguem fez por mim" é a frase da vida. Vc vai ter coragem de voltar na casa dos seus pais?
ResponderExcluirNos próximos capítulos. Rsrsrs
Excluir"Porque ninguém tinha feito por ela." Que frase. Que mulher sua tia. Joyce, você escreve de um jeito tão delicado, mas ao mesmo tempo tão forte. Dá pra sentir o peso do silêncio entre vocês, o cuidado nos gestos pequenos, o requeijão reaproveitado, o leite esquentando. É lindo ver como a memória transforma até os dias mais difíceis em algo digno de ser contado.
ResponderExcluir❤️
ExcluirNão teve coragem de fumar com a sua tia?
ResponderExcluirTem uma parte só disso. Rsrsrs
ExcluirLogo entra no ar.
É que o choque era grande demais. Ainda tava perdida