Naquela semana, Ted veio me
buscar todos os dias. Era novo não ter que me esconder. No início da noite ele
aparecia no portão. Eu descia e saíamos sem rumo definido. Às vezes seguíamos
até a praça. Em outras noites caminhávamos em direção ao centro e nos
demorávamos diante das vitrines fechadas. Andávamos bastante, a mão dele na
minha. O ar da noite e o movimento dos carros acompanhavam nosso percurso.
Eu falava das vagas de emprego
que havia encontrado durante o dia. Ele escutava. Em algum momento entrávamos
em um bar. Eu fumava enquanto dividíamos algumas cervejas. Ficávamos ali até
sentir que a noite já havia avançado o suficiente. Depois ele me acompanhava de
volta até o portão.
Quando eu entrava, minha tia estava na sala, sentada diante da televisão. Ela levantava os olhos, estendia o maço na minha direção e perguntava como tinha sido a noite. Pegava um cigarro e me sentava ao seu lado. Entre uma tragada e outra, contava-lhe alguma coisa pequena que havia acontecido na rua ou no bar. Ela prestava atenção e, em certos momentos, lembrava-se de algum episódio de sua juventude. Ficávamos assim por alguns minutos. Depois, eu desejava boa noite e voltava para o quarto.


O grande dia em que você pode fumar um cigarro em casa na paz. Até acendi um vermelhão aqui no sofá 🚬🚬🚬
ResponderExcluirJoyce, que delícia ler esse post! ❤️
ResponderExcluir"Não ter que me esconder". Que peso saiu das suas costas, hein Joyce? ✨ Também estou na sala fumando!
ResponderExcluirÉ engraçado como um cigarro e uma conversa no sofá aproximam mais as pessoas do que anos de convivência.
ResponderExcluir🖤
ResponderExcluirJoyceeee, eu tô amando essa fase "vida real"! 😍 Imagino vcs dois de mãos dadas, sem pressa pra voltar. E chegar em casa e ainda ter aquela resenha com a tia? Perfeito!
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