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A Euforia Pós-sexo (5)

Fomos tomar um café. Assim que me sentei, tirei a jaqueta, deixando a pele nua dos ombros à mostra. Um convite ao olhar. Com a ponta dos dedos, deslizei a barra da calça para cima, revelando um pouco mais da bota. Meus cabelos soltos emolduravam o rosto. Usava uma calça jeans preta justa de cintura alta, a bota de camurça sintética com salto fino e cadarço cruzado, uma blusa de crepe azul e a jaqueta curta, que agora repousava sobre o encosto.

Sofia começou a falar sobre um senhor bem velhinho que se sentara ao lado dela no parque. Ele havia compartilhado a memória da esposa, já falecida. O tom de Sofia me prendeu. Meus olhos se fixaram em sua boca enquanto ela falava, e em suas mãos que, de vez em quando, tocavam os cabelos.

Instintivamente, inclinei-me para a frente, apoiando os cotovelos na mesa. Minhas mãos abandonaram o nervosismo de amassar o guardanapo e repousaram abertas sobre o tampo. Sofia fez uma breve pausa, girando a colher no café por três vezes enquanto mantinha o olhar fixo para baixo.

Ela contou que o senhor saía de casa pela manhã e caminhava até o mesmo banco no parque. A esposa costumava alimentar os pombos ali; o ritual dela tornara-se o dele. Minha respiração tornou-se mais lenta. Toquei a pele nua do meu ombro. Ele carregava no bolso um saco de pão. Dentro, migalhas da mesma receita que ela fazia.

Ela fez uma pausa, e eu percebi que estava segurando a respiração. Ela contou que, ao perguntar se a visita diária ao parque era dolorosa, ele riu. Um riso cheio de rugas. Disse que não vinha por tristeza, mas porque sentia que ela ainda estava presente. Que a saudade não é um peso, é uma ponte. 

[Eu e Sofia, os mesmos calçados.] - Joyce

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Só queria dizer que sua narrativa me faz lembrar pq eu gosto de ler. Não é exagero. Essa parte do velhinho me desmontou “saudade é uma ponte" fiquei parada uns minutos.

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  2. Joyce, vc tem alguma noção da sensibilidade que coloca nessas cenas? Parece q vc vive num mundo com mais camadas do que a gente. Obrigada por dividir isso aqui.

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  3. Joyce, eu notei exatamente o que você fez aí com as botas 😉
    A gente não é boba: você e Sofia usando o mesmo modelo (camurça, cadarço, salto fino) não foi coincidência. A bota é o código que diz: Eu tenho o seu estilo, eu tenho a sua ousadia.
    Mas a jogada de mestre foi quando você se sentou e puxou a calça para mostrar mais a bota! Aquilo não foi descuido, foi uma declaração na cara dela! Você queria que ela soubesse que a sua nova persona está ali, firme e forte, no mesmo salto que a dela.
    Puro flerte, pura marcação de território.
    Beijos e continua escrevendo! ✨

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  4. Obrigada.Vocês me dão forças pra continuar escrevendo!

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