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Coisa de Pele (32)

Sofia me esperava na tabacaria perto do meu prédio, recostada na parede com a mesma elegância displicente de sempre. Vestia uma blusa que realçava a pele e valorizava seu busto, mesmo sem apelar ao decote. Os jeans escuros moldavam suas curvas feito uma segunda pele. O batom, mais escuro do que o usual, acentuava a promessa ambígua dos seus lábios.

Caminhamos até o bar. Seus dedos roçavam os meus sempre que gesticulava. Eu observava o balanço dos seus quadris, a forma dela se impor no espaço da calçada. O bar era jovem e excessivamente iluminado, com luzes de néon que alternavam cores sobre os rostos apressados. Sua mão repousava na curva da minha cintura enquanto serpenteávamos entre os corpos suados. O toque era firme, quente, persistente. Os dedos demoravam se mais do que o trajeto exigia. Eu me inclinava em sua direção quase sem perceber, atraída pelo perfume de flores e especiarias.

Músicas de tempos passados vibravam com entusiasmo novo. Corpos dançavam em grupos dispersos, imersos numa alegria coreografada da qual eu me sentia espectadora, de copo na mão e brilho nos olhos. Sofia ria alto, transpondo o ruído ambiente e atraindo todos os olhares. Ela tocava meu braço com frequência, sem necessidade aparente. Os dedos traçavam linhas invisíveis sobre minha pele exposta. Os olhos buscavam os meus o tempo todo.

Pediu duas doses de vodka. Depois mais duas. O álcool descia queimando, dissolvendo as bordas cortantes do desconforto e aguçando sensações que eu preferia não nomear. Ela ria, se aproximava, me puxava com uma alegria performada, e eu sentia seu corpo irradiando calor contra o meu. Apontava rapazes na multidão com empenho mecânico. Balancei a cabeça constrangida, mas ela insistia, me empurrava com gentileza calculada, guiando meus movimentos à sua vontade. Suas mãos deslizavam pelos meus ombros e braços, guiando me em um jogo perverso. Cada toque era uma faísca que eu fingia ignorar. Havia uma crueldade delicada naquela insistência, um teste de limites.

Bebemos mais. Ela bebia com leve vulgaridade e uma intimidade performada que me fazia questionar se o espetáculo era para os outros ou para mim. Os cabelos soltos emolduravam seu rosto, o batom um pouco borrado depois do copo, e aquela vontade de ser vista que ela fingia não saber que tinha, mas que irradiava de cada poro.

A música pulsava e ela se aproximava mais, nossos corpos quase se tocando, e eu sentia que estávamos dançando uma dança diferente da que tocava. Sofia fez um gesto discreto, indicando a música alta demais e a dificuldade de nos ouvirmos. Acenou com a cabeça na direção da porta. E eu entendi o recado.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Menina do céu 😳 essa Sofia tá brincando com fogo e vc tbm… eu senti a tensão daqui.

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    1. É exatamente essa a sensação. A tensão é o personagem principal desses encontros.

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  2. A forma q vc descreveu o bar, as luzes, o toque, parece q eu tava no seu lugar tentando entender oq ela queria de verdade.

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    1. Que bom que consegui te levar para o bar

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  3. Senti um ar meio predatório, mas também uma fragilidade nela. Como se ela quisesse ser vista do mesmo jeito q te olha. A estética da cena inteira o neon, a vodka, os risos altos… tá tudo muito cinematográfico. Mas eu senti seu medo. E sua curiosidade também.

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    1. A fragilidade dela é o convite mais forte que ela me faz.

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  4. Oi Joyce, neste ponto o cigarro já se tornará algo indispensável, parte da sua personalidade?

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    1. Ele me dava algo para fazer com as mãos quando estava nervosa, como naquele bar. Mas se ele já fazia parte da minha personalidade? Ainda não sei.

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