Sofia me esperava na tabacaria
perto do meu prédio, recostada na parede com a mesma elegância displicente de
sempre. Vestia uma blusa que realçava a pele e valorizava seu busto, mesmo sem
apelar ao decote. Os jeans escuros moldavam suas curvas feito uma segunda pele.
O batom, mais escuro do que o usual, acentuava a promessa ambígua dos seus
lábios.
Caminhamos até o bar. Seus dedos
roçavam os meus sempre que gesticulava. Eu observava o balanço dos seus
quadris, a forma dela se impor no espaço da calçada. O bar era jovem e
excessivamente iluminado, com luzes de néon que alternavam cores sobre os rostos
apressados. Sua mão repousava na curva da minha cintura enquanto serpenteávamos
entre os corpos suados. O toque era firme, quente, persistente. Os dedos
demoravam se mais do que o trajeto exigia. Eu me inclinava em sua direção quase
sem perceber, atraída pelo perfume de flores e especiarias.
Músicas de tempos passados
vibravam com entusiasmo novo. Corpos dançavam em grupos dispersos, imersos numa
alegria coreografada da qual eu me sentia espectadora, de copo na mão e brilho
nos olhos. Sofia ria alto, transpondo o ruído ambiente e atraindo todos os
olhares. Ela tocava meu braço com frequência, sem necessidade aparente. Os
dedos traçavam linhas invisíveis sobre minha pele exposta. Os olhos buscavam os
meus o tempo todo.
Pediu duas doses de vodka. Depois
mais duas. O álcool descia queimando, dissolvendo as bordas cortantes do
desconforto e aguçando sensações que eu preferia não nomear. Ela ria, se
aproximava, me puxava com uma alegria performada, e eu sentia seu corpo
irradiando calor contra o meu. Apontava rapazes na multidão com empenho
mecânico. Balancei a cabeça constrangida, mas ela insistia, me empurrava com
gentileza calculada, guiando meus movimentos à sua vontade. Suas mãos
deslizavam pelos meus ombros e braços, guiando me em um jogo perverso. Cada toque
era uma faísca que eu fingia ignorar. Havia uma crueldade delicada naquela
insistência, um teste de limites.
Bebemos mais. Ela bebia com leve
vulgaridade e uma intimidade performada que me fazia questionar se o espetáculo
era para os outros ou para mim. Os cabelos soltos emolduravam seu rosto, o
batom um pouco borrado depois do copo, e aquela vontade de ser vista que ela
fingia não saber que tinha, mas que irradiava de cada poro.
A música pulsava e ela se aproximava mais, nossos corpos quase se tocando, e eu sentia que estávamos dançando uma dança diferente da que tocava. Sofia fez um gesto discreto, indicando a música alta demais e a dificuldade de nos ouvirmos. Acenou com a cabeça na direção da porta. E eu entendi o recado.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
Menina do céu 😳 essa Sofia tá brincando com fogo e vc tbm… eu senti a tensão daqui.
ResponderExcluirÉ exatamente essa a sensação. A tensão é o personagem principal desses encontros.
ExcluirA forma q vc descreveu o bar, as luzes, o toque, parece q eu tava no seu lugar tentando entender oq ela queria de verdade.
ResponderExcluirQue bom que consegui te levar para o bar
ExcluirSenti um ar meio predatório, mas também uma fragilidade nela. Como se ela quisesse ser vista do mesmo jeito q te olha. A estética da cena inteira o neon, a vodka, os risos altos… tá tudo muito cinematográfico. Mas eu senti seu medo. E sua curiosidade também.
ResponderExcluirA fragilidade dela é o convite mais forte que ela me faz.
ExcluirOi Joyce, neste ponto o cigarro já se tornará algo indispensável, parte da sua personalidade?
ResponderExcluirEle me dava algo para fazer com as mãos quando estava nervosa, como naquele bar. Mas se ele já fazia parte da minha personalidade? Ainda não sei.
Excluir