Tudo mudou quando apareceu o Ted.
Sofia contou que, numa madrugada,
estavam voltando de um bar. Garoava. Ela usava um sapato que escorregava na
calçada molhada e ria de si mesma, um riso meio envergonhado. Disse que sempre
a mandaram ser mais contida, mais delicada, menos escandalosa. Que o riso dela
incomodava porque era grande demais, fora de lugar.
Mas naquela noite, Ted
simplesmente deu um passo à frente. Não disse nada. Só abriu um guarda-chuva
que ninguém sabia que carregava. Um gesto simples, quase imperceptível, mas que
mudava tudo: se posicionou de modo que a chuva caísse sobre ele, não sobre ela.
E ficou ali, uma proteção silenciosa entre ela e o desconforto.
Quando se virou para ver se Sofia
o acompanhava, sorriu. Não riu dela. Riu com ela. E isso fez toda a diferença. Sofia
disse que naquele momento soube. Que aquele gesto simples era, na verdade, um
sussurro dizendo: você pode ser quem é. E ser cuidada mesmo assim.
Fiquei ouvindo em silêncio,
tentando encontrar uma forma de respirar fundo sem parecer que algo se partia
dentro de mim.
Não consegui.
Ela continuou falando, e eu
apenas ficava ali. Ficar era tudo o que conseguia fazer.
Então ela se inclinou para
frente, os olhos brilhando com uma vulnerabilidade desesperada, e me pediu
ajuda para mostrar a ele que os dois deviam ficar juntos.

Joyce, que texto lindo e ao mesmo tempo devastador. Meu coração ficou apertadíssimo por você. Como é agonizante ouvir elogios à pessoa que se ama, sabendo que são dirigidos justamente àquela que pode te ferir. Você está segurando uma bomba com as próprias mãos. Força!
ResponderExcluirÉ uma agonia silenciosa. Sintia a bomba na mão, sim.
Excluirnossa joyce. a genialidade desse texto ta justamnt na ironia tragica. a sofia descreve o homem perfeito, o gesto q toda mulher sonha, e nois leitores sentimos a faca se enterrando a cada palavra q ela diz.
ResponderExcluiressa linha "tentando encontrar uma forma de respirar fundo sem parecer q algo se partia dentro de mim" ME PEGOU DEMAIS É ISSO. vc conseguiu traduzir a dor silenciosa aquele despedaçar-se por dentro sem q ninguem perceba. vc é corajosa DEMAIS p conseguir colocar isso em palavras.
A ironia é o tempero da vida. Obrigada por me ler e sentir essa dor.
ExcluirNão consigo parar de pensar nesse contraste: a Sofia, radiante e vulnerável, contando o momento mais mágico da vida dela, que é, na verdade, o seu maior pesadelo. A sua reação de simplesmente "ficar" foi a única possível. O que mais fazer? É um daqueles momentos em que a vida é mais cruel do que qualquer ficção. E a sua amiga pedindo AJUDA para ficar com ele. Joyce, sinto muito. Sério. Sua escrita é magnífica, mas que história dolorosa de se viver.
ResponderExcluirduas coisas me impressioram MUITO primeiro a sua habildiade de observar e capturar a beleza num gesto simples (o guarda chuva o riso) segundo a sua força herculea de não ter interrompido a sofia no meio do relato.
ResponderExcluira vulnerabilidade desesperada dela é oq torna a situação mais cruel pra vc. ela não é uma vilã é só uma pessoa apaixonada e isso deve doer MUITO MAIS espero q vc tenha algm pra desabafar pq carregar isso sozinha é um fardo muito pesado. cuida de vc
Fiquei ouvindo em silêncio. essa parte ME QUEBROU. é a representação pura da resignação. vc não é só uma ótima contadora de histórias joyce vc é uma GUERREIRA. a sofia viu um gesto de cuidado no ted mas quem ta precisando de cuidado agora é vc de verdade.
ResponderExcluirtorcendo pra q vc tenha encontrado uma saida p esse labirinto e q acima de tudo continue escrevendo, pq seu dom é inEgaVel. Manda noticias, tamo c vc! ❤️🥺