Meus dedos seguravam o cigarro
aceso, tremendo levemente. Quando ele se aproximou, meus lábios se abriram.
Traguei; profunda, lenta. A brasa brilhou e o calor subiu pelo meu peito. Ele
se inclinou mais, o rosto tão perto que eu podia sentir o cheiro da pele, do
suor fresco.
Encostei minha boca na dele.
Nossos lábios se tocaram pela primeira vez, e então soprei. A fumaça saiu de
mim e nele entrou. Um beijo cheio de fumaça. Um gesto de posse e de entrega ao
mesmo tempo.
Ele fechou os olhos.
Meus dedos tremiam com a pulsação
do momento. Sua palma subiu pela minha coxa, parando no elástico da calcinha,
testando a materialidade da minha pele. Eu era, ali naquele quarto, inteira.
Meus seios se erguiam sob o tecido fino, arfando com a respiração entrecortada.
O cigarro tocou meus lábios outra vez; um segundo beijo, desta vez mais íntimo.
Traguei de novo. E beijei de novo.
Ele me deitou com cuidado. Minha
cabeça afundou no travesseiro duro. O cigarro se apagou no chão enquanto seus
lábios desciam pelo meu pescoço. Mas o gosto da fumaça ainda estava ali, entre
nós.
O colchão rangeu sob o peso dos
nossos corpos. Meus dedos escorregaram pela sua camiseta, sentindo o calor
acumulado no tecido, o leve tremor dos músculos sob minha palma. Ele me olhava,
tentando decifrar o que eu me tornara. Adorei essa dúvida em seus olhos.
Retirei sua camiseta devagar.
Encostei os meus lábios em seu peito, exalando o resto da fumaça que ainda
flutuava em mim. Um sopro quente, agridoce. Ele suspirou. Senti sua resistência
se quebrar.
Ted desceu as mãos pelas minhas
pernas com a palma aberta, explorando, mas hesitante. A roupa íntima úmida
colava na pele; o baby doll amarrotado na cintura. Eu me arqueei sob ele,
oferecida, mas firme.
Nos movíamos devagar. As pontas
dos dedos se tornavam palavras. As mãos, confissões. Quando ele puxou minha
calcinha pelos quadris, senti o ar frio do quarto bater entre minhas pernas, e
cada nervo se acendeu. Meus seios roçavam contra o peito dele, e o atrito era
música. A tensão virava ritmo. O ritmo, súplica…

Gostei bastante, Joyce. Ficou lindo oq vc escreveu
ResponderExcluirObrigada, Gustavo! Fico feliz que tenha achado lindo.
ExcluirA entrega da fumaça da sua boca pra dele é a coisa mais erótica que existe. Fiquei imaginando o gosto do tabaco na língua dos dois. Ele tragou a sua fumaça ou soltou logo? Detalhe importante!!
ResponderExcluirQue bom que sentiu a erótica da fumaça.
ExcluirVc mostra que o cigarro é seu porto seguro ali na hora H. E qdo vc diz "o gosto da fumaça ainda estava ali, entre nós", da pra sentir o cheiro daqui. Texto visceral, Joyce. Parabéns.
ResponderExcluirObrigada por sentir a cena e pelo seu "Parabéns"!
ExcluirA tensão sexual misturada com a nicotina. Eu tenho mto fetiche em ver a mulher fumando antes/durante, e vc passando a fumaça pra boca dele foi o auge.
ResponderExcluirFico feliz que o fetiche tenha sido atendido! A nicotina aumenta a tensão.
ExcluirGente que calor 🔥🔥
ResponderExcluirJoyce vc escreve mto bem a sensação física. "O atrito era música". Mas confesso q fiquei presa na parte q vc traga e beija de novo, um beijo seguido de trago
Que bom que você sentiu o calor! O trago seguido de beijo era pura intenção.
ExcluirA melhor parte pra mim foi dps, qdo vc solta o resto da fumaça no peito dele ("sopro quente, agridoce").
ResponderExcluirO sopro no peito dele era a entrega final da fumaça. Ótimo que notou esse detalhe!
ExcluirAqui, a intimidade não é só física, é uma troca de poder através do corpo. A Joyce não é passiva, ela É ATIVA! Ela que comanda o ritmo com o cigarro, ela que retira a camiseta dele, ela que se entrega "oferecida, mas firme". É raro ver uma cena de tensão sexual onde a mulher tem tanta agência e consciência do seu desejo.
ResponderExcluirE a linguagem? SENSAÇÕES PURAS! Do "ar frio do quarto" ao "calor acumulado no tecido". Você sente cada detalhe.
Anna, você resumiu perfeitamente! Ser ativa e ter agência é o ponto principal. Obrigada pela leitura maravilhosa!
ExcluirA cada texto, a Joyce prova que é uma contadora de histórias nata. A maneira como ela transforma uma memória íntima em algo tão simbólico e universal. As mãos, confissões. É muita poesia para um momento de puro fogo. Adoro o blog justamente por isso: a gente nunca lê só um relato, a gente experiencia uma literatura de verdade.
ResponderExcluirSua análise me deixa emocionada! A intenção é transformar a experiência em literatura. Obrigada pelo apoio ao blog!
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