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Coisa de Pele (41)

Meus dedos seguravam o cigarro aceso, tremendo levemente. Quando ele se aproximou, meus lábios se abriram. Traguei; profunda, lenta. A brasa brilhou e o calor subiu pelo meu peito. Ele se inclinou mais, o rosto tão perto que eu podia sentir o cheiro da pele, do suor fresco.

Encostei minha boca na dele. Nossos lábios se tocaram pela primeira vez, e então soprei. A fumaça saiu de mim e nele entrou. Um beijo cheio de fumaça. Um gesto de posse e de entrega ao mesmo tempo.

Ele fechou os olhos.

Meus dedos tremiam com a pulsação do momento. Sua palma subiu pela minha coxa, parando no elástico da calcinha, testando a materialidade da minha pele. Eu era, ali naquele quarto, inteira. Meus seios se erguiam sob o tecido fino, arfando com a respiração entrecortada. O cigarro tocou meus lábios outra vez; um segundo beijo, desta vez mais íntimo. Traguei de novo. E beijei de novo.

Ele me deitou com cuidado. Minha cabeça afundou no travesseiro duro. O cigarro se apagou no chão enquanto seus lábios desciam pelo meu pescoço. Mas o gosto da fumaça ainda estava ali, entre nós.

O colchão rangeu sob o peso dos nossos corpos. Meus dedos escorregaram pela sua camiseta, sentindo o calor acumulado no tecido, o leve tremor dos músculos sob minha palma. Ele me olhava, tentando decifrar o que eu me tornara. Adorei essa dúvida em seus olhos.

Retirei sua camiseta devagar. Encostei os meus lábios em seu peito, exalando o resto da fumaça que ainda flutuava em mim. Um sopro quente, agridoce. Ele suspirou. Senti sua resistência se quebrar.

Ted desceu as mãos pelas minhas pernas com a palma aberta, explorando, mas hesitante. A roupa íntima úmida colava na pele; o baby doll amarrotado na cintura. Eu me arqueei sob ele, oferecida, mas firme.

Nos movíamos devagar. As pontas dos dedos se tornavam palavras. As mãos, confissões. Quando ele puxou minha calcinha pelos quadris, senti o ar frio do quarto bater entre minhas pernas, e cada nervo se acendeu. Meus seios roçavam contra o peito dele, e o atrito era música. A tensão virava ritmo. O ritmo, súplica…

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Gostei bastante, Joyce. Ficou lindo oq vc escreveu

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    1. Obrigada, Gustavo! Fico feliz que tenha achado lindo.

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  2. A entrega da fumaça da sua boca pra dele é a coisa mais erótica que existe. Fiquei imaginando o gosto do tabaco na língua dos dois. Ele tragou a sua fumaça ou soltou logo? Detalhe importante!!

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    1. Que bom que sentiu a erótica da fumaça.

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  3. Vc mostra que o cigarro é seu porto seguro ali na hora H. E qdo vc diz "o gosto da fumaça ainda estava ali, entre nós", da pra sentir o cheiro daqui. Texto visceral, Joyce. Parabéns.

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    1. Obrigada por sentir a cena e pelo seu "Parabéns"!

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  4. A tensão sexual misturada com a nicotina. Eu tenho mto fetiche em ver a mulher fumando antes/durante, e vc passando a fumaça pra boca dele foi o auge.

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    1. Fico feliz que o fetiche tenha sido atendido! A nicotina aumenta a tensão.

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  5. Gente que calor 🔥🔥

    Joyce vc escreve mto bem a sensação física. "O atrito era música". Mas confesso q fiquei presa na parte q vc traga e beija de novo, um beijo seguido de trago

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    1. Que bom que você sentiu o calor! O trago seguido de beijo era pura intenção.

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  6. A melhor parte pra mim foi dps, qdo vc solta o resto da fumaça no peito dele ("sopro quente, agridoce").

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    1. O sopro no peito dele era a entrega final da fumaça. Ótimo que notou esse detalhe!

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  7. Aqui, a intimidade não é só física, é uma troca de poder através do corpo. A Joyce não é passiva, ela É ATIVA! Ela que comanda o ritmo com o cigarro, ela que retira a camiseta dele, ela que se entrega "oferecida, mas firme". É raro ver uma cena de tensão sexual onde a mulher tem tanta agência e consciência do seu desejo.

    E a linguagem? SENSAÇÕES PURAS! Do "ar frio do quarto" ao "calor acumulado no tecido". Você sente cada detalhe.

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    1. Anna, você resumiu perfeitamente! Ser ativa e ter agência é o ponto principal. Obrigada pela leitura maravilhosa!

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  8. A cada texto, a Joyce prova que é uma contadora de histórias nata. A maneira como ela transforma uma memória íntima em algo tão simbólico e universal. As mãos, confissões. É muita poesia para um momento de puro fogo. Adoro o blog justamente por isso: a gente nunca lê só um relato, a gente experiencia uma literatura de verdade.

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    1. Sua análise me deixa emocionada! A intenção é transformar a experiência em literatura. Obrigada pelo apoio ao blog!

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