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A Euforia Pós-sexo (11)

Saí da sala e caminhei pelo corredor vazio, atravessado pelo sol. O jardim estava deserto, apenas o barulho distante do trânsito e o som das folhas se movendo com a brisa. Escolhi uma árvore afastada do prédio, com sombra suficiente, e me sentei.

Coloquei a mão no bolso da blusa, peguei o maço de cigarros e só então me dei conta do óbvio: o isqueiro estava lá dentro, entre os papéis de Ted. Uma ironia quase cruel. Eu havia saído para fumar e agora estava aqui, completamente inútil. A vontade do café, bem forte, bem quente, veio em seguida. Pensei em voltar, pegar uma xícara, mas isso destruiria completamente a dramaticidade da minha saída.

Fiquei ali, incomodada, sem cigarro, sem café, refletindo sobre essa necessidade súbita de ter as duas coisas exatamente no momento em que não podia tê-las. Quando foi que me tornei essa pessoa? A Joyce de meses atrás nem fumava. Café, sim, sempre gostei. No início do ano eu jamais criaria situações como essa, nem sairia de uma sala de forma tão teatral. Seria direta, honesta e ingênua, dizendo o que pensava sem camadas de subtexto.

Mas a Joyce anterior não conseguiria manter Ted interessado por muito tempo, ou por algum tempo. Não era capaz de fazer com que alguém prestasse atenção. Será que eu havia me tornado prisioneira da própria performance? Pensei nisso com uma irritação amarga. Me perguntei quantas vezes ao dia eu assumia um papel. A mulher segura e misteriosa que cruza as pernas com elegância estudada. A que escolhe a palavra certa, o silêncio certo, o olhar certo. Tudo isso era escolha, ou disfarce?

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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