Ted se recostou na cama estreita,
o lençol mal esticado deslizando de seu peito. Eu sentia seus olhos fixos em
mim. Sempre havia uma breve hesitação quando eu levava o isqueiro à boca e
ouvia o clique seco da chama. O brilho efêmero da brasa, quando eu tragava, o
mantinha imóvel, temendo que qualquer gesto banal pudesse quebrar o instante.
Aspirei devagar, sentindo a
fumaça raspar a garganta, e deixei escapar um fio fino em direção ao teto. Ted
seguia cada mínimo gesto meu: o levantar do ombro, a curva dos dedos, as
pequenas centelhas caindo quando bati as cinzas no chão.
Ele se aproximou. Deixei a fumaça
acumular entre nós antes de soprá-la devagar contra seu rosto. Seus olhos se
fecharam por um instante; senti sua mão firme no meu quadril. O ar tornava-se
mais denso a cada tragada, desacelerando cada movimento. A brasa o roçava
ocasionalmente numa proximidade calculada que me fazia estremecer. O gosto do
tabaco que eu infundira em sua boca era intenso, quase medicinal, misturando-se
à nossa saliva, enquanto seus murmúrios se dissolviam na fumaça ascendente.
Havia uma intimidade estranha
naquilo.
A cinza caiu intacta sobre a mesa
de cabeceira. Senti um arrepio quando ele passou o polegar pelo meu braço sem
dizer nada. O gosto amargo do tabaco se confundia com o calor de sua
respiração. O mundo inteiro parecia reduzido a esse instante suspenso: fumaça,
pele, silêncio.
Enquanto eu tragava, ele tocava
minha pele, cuidadoso, temendo que um mínimo movimento em falso pudesse quebrar
a magia do momento. Seus olhos me seguiram com atenção meticulosa quando
comecei a me despir. A fumaça subia, borrando nossos contornos. Ele desabotoou
minha blusa enquanto eu segurava o cigarro nos lábios. Quando chegou ao sutiã,
fez uma pausa, tomou o cigarro dos meus dedos, tragou longa e deliberadamente,
soprando a fumaça diretamente sobre meus seios. O ar quente, impregnado de
nicotina, fez meu corpo arquear involuntariamente.
Ted me deitou na cama, ainda de
calcinha, e começou a me acariciar enquanto eu fumava metodicamente. A cada
toque, eu dava uma tragada, um ritmo alimentava o outro. Quando finalmente nos
encaixamos, eu segurava o cigarro na mão esquerda e, entre as pausas de seu
compasso lento, tragava. A brasa oscilava no escuro acima do meu rosto. A cinza
caía sobre meus seios; cada partícula quente contra a pele era uma pontada de
êxtase.
Ele tomou meu cigarro, tragou
fundo e murmurou:
— Abre a boca.
Obedeci. Soprou a fumaça
diretamente entre meus lábios antes de me beijar, fazendo-me engolir o que ele
havia consumido. Era como uma comunhão perversa, na qual eu recebia não apenas
seu corpo, mas o resíduo químico do prazer. Ted gemia quando eu tossia,
excitando-se ainda mais com minha dificuldade em processar a nicotina.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Joyce do céu que escrita eh essa?? Fiquei sem ar so de ler a parte da fumaça nos seios. Vc descreve o ritual de um jeito que parece q to sentindo o cheiro do tabaco daqui.
ResponderExcluirnossa joyce, me vi total nessa cena. essa coisa da brasa caindo na pele eh um caminho sem volta né? a gente sente aquele calorzinho e o prazer explode. obg por compartilhar essas memorias
ResponderExcluir"Abre a boca".... PQP!!! essa parte me quebrou. pouca gente entende como o beijo com fumaça eh intimo, parece que as almas se misturam. vc eh mto corajosa de contar essas coisas assim, na lata. adoro seu blog.
ResponderExcluirJoyce vc devia ser escritora de livro hot serio kkkk. O detalhe do "clique seco da chama" foi sensacional. eu tbm amo quando o parceiro toma o cigarro da gente e sopra de volta. eh um dominio q nao tem explicaçao.
ResponderExcluirjoyce querida, eu li esse post segurando meu slim e tentando imitar seus gestos kkkk. sou viciada nesse rito de se despir fumando eh tao empoderador neh? o ted parece q era bem intenso, senti a tensao daqui. bjs e nao demora pra postar o proximo capitulo do seu passado.
ResponderExcluirMto bom o texto as vezes as pessoas acham q eh so o cigarro mas eh toda a atmosfera q vc descreveu. a fumaça borrando os contornos perfeito.
ResponderExcluirFiquei ate arrepiada com a parte da tosse eu tbm fico mto excitada quando isso acontece, parece q o corpo nao aguenta tanto prazer. obg por isso Joyce!! vc eh maravilhosa.
ResponderExcluirJoyce, vc tem noção do poder que tem quando descreve a brasa e o tempo lento? Forte demais.
ResponderExcluirJoyce, é impressionante como vc faz a fumaça virar personagem. Quase senti a garganta arder aqui. texto cru e lindo.
ResponderExcluirLi duas vezes seguidas. A hesitação antes do clique do isqueiro é exatamente oq me pega.
ResponderExcluirNão é só sexo, é ritual. Quando vc descreve o silêncio entre uma tragada e outra eu simplesmente paro de respirar junto.
ResponderExcluirJoyce, lendo esse trecho fica claro que o cigarro não é detalhe nem fetiche jogado por cima da cena, ele é o eixo de tudo. Dá pra sentir como ele manda no ritmo, na aproximação, no controle — a cada toque vem uma tragada, e isso quem conhece sabe o quanto é real. Essa troca de fumaça, esse “resto” que passa de um corpo pro outro, é íntimo demais, quase um pacto silencioso. Também gosto muito de como você não entra na cabeça dele, só no corpo e nas sensações dele vistas por você; isso mantém aquela tensão boa, aquele mistério que sustenta a dominação. A cinza intacta me pegou forte, é frágil e ao mesmo tempo solene, como o momento. E o final… duro, desconfortável, excitante na medida certa. Essa crueldade sutil, esse prazer no limite do outro, fecha a cena com maturidade. Dá pra sentir que isso foi vivido, não inventado às pressas.
ResponderExcluirEsse controle, essa entrega lenta. Joyce vc sabe exatamente onde tocar o leitor. Texto denso, abafado, perfeito.
ResponderExcluirJoyce, serio, vc consegue transformar fumaça em pele. Pouca gente escreve fetish assim, sem exagero, só sensação.
ResponderExcluirA parte da fumaça acumulando entre vcs…
ResponderExcluirJoyce, obrigado por não ter pressa. Cada tragada descrita faz a gente lembrar pq começou nisso tudo.
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