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A Euforia Pós-sexo (30)

Ted se recostou na cama estreita, o lençol mal esticado deslizando de seu peito. Eu sentia seus olhos fixos em mim. Sempre havia uma breve hesitação quando eu levava o isqueiro à boca e ouvia o clique seco da chama. O brilho efêmero da brasa, quando eu tragava, o mantinha imóvel, temendo que qualquer gesto banal pudesse quebrar o instante.

Aspirei devagar, sentindo a fumaça raspar a garganta, e deixei escapar um fio fino em direção ao teto. Ted seguia cada mínimo gesto meu: o levantar do ombro, a curva dos dedos, as pequenas centelhas caindo quando bati as cinzas no chão.

Ele se aproximou. Deixei a fumaça acumular entre nós antes de soprá-la devagar contra seu rosto. Seus olhos se fecharam por um instante; senti sua mão firme no meu quadril. O ar tornava-se mais denso a cada tragada, desacelerando cada movimento. A brasa o roçava ocasionalmente numa proximidade calculada que me fazia estremecer. O gosto do tabaco que eu infundira em sua boca era intenso, quase medicinal, misturando-se à nossa saliva, enquanto seus murmúrios se dissolviam na fumaça ascendente.

Havia uma intimidade estranha naquilo.

A cinza caiu intacta sobre a mesa de cabeceira. Senti um arrepio quando ele passou o polegar pelo meu braço sem dizer nada. O gosto amargo do tabaco se confundia com o calor de sua respiração. O mundo inteiro parecia reduzido a esse instante suspenso: fumaça, pele, silêncio.

Enquanto eu tragava, ele tocava minha pele, cuidadoso, temendo que um mínimo movimento em falso pudesse quebrar a magia do momento. Seus olhos me seguiram com atenção meticulosa quando comecei a me despir. A fumaça subia, borrando nossos contornos. Ele desabotoou minha blusa enquanto eu segurava o cigarro nos lábios. Quando chegou ao sutiã, fez uma pausa, tomou o cigarro dos meus dedos, tragou longa e deliberadamente, soprando a fumaça diretamente sobre meus seios. O ar quente, impregnado de nicotina, fez meu corpo arquear involuntariamente.

Ted me deitou na cama, ainda de calcinha, e começou a me acariciar enquanto eu fumava metodicamente. A cada toque, eu dava uma tragada, um ritmo alimentava o outro. Quando finalmente nos encaixamos, eu segurava o cigarro na mão esquerda e, entre as pausas de seu compasso lento, tragava. A brasa oscilava no escuro acima do meu rosto. A cinza caía sobre meus seios; cada partícula quente contra a pele era uma pontada de êxtase.

Ele tomou meu cigarro, tragou fundo e murmurou:

— Abre a boca.

Obedeci. Soprou a fumaça diretamente entre meus lábios antes de me beijar, fazendo-me engolir o que ele havia consumido. Era como uma comunhão perversa, na qual eu recebia não apenas seu corpo, mas o resíduo químico do prazer. Ted gemia quando eu tossia, excitando-se ainda mais com minha dificuldade em processar a nicotina.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Joyce do céu que escrita eh essa?? Fiquei sem ar so de ler a parte da fumaça nos seios. Vc descreve o ritual de um jeito que parece q to sentindo o cheiro do tabaco daqui.

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  2. nossa joyce, me vi total nessa cena. essa coisa da brasa caindo na pele eh um caminho sem volta né? a gente sente aquele calorzinho e o prazer explode. obg por compartilhar essas memorias

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  3. "Abre a boca".... PQP!!! essa parte me quebrou. pouca gente entende como o beijo com fumaça eh intimo, parece que as almas se misturam. vc eh mto corajosa de contar essas coisas assim, na lata. adoro seu blog.

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  4. Joyce vc devia ser escritora de livro hot serio kkkk. O detalhe do "clique seco da chama" foi sensacional. eu tbm amo quando o parceiro toma o cigarro da gente e sopra de volta. eh um dominio q nao tem explicaçao.

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  5. joyce querida, eu li esse post segurando meu slim e tentando imitar seus gestos kkkk. sou viciada nesse rito de se despir fumando eh tao empoderador neh? o ted parece q era bem intenso, senti a tensao daqui. bjs e nao demora pra postar o proximo capitulo do seu passado.

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  6. Mto bom o texto as vezes as pessoas acham q eh so o cigarro mas eh toda a atmosfera q vc descreveu. a fumaça borrando os contornos perfeito.

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  7. Fiquei ate arrepiada com a parte da tosse eu tbm fico mto excitada quando isso acontece, parece q o corpo nao aguenta tanto prazer. obg por isso Joyce!! vc eh maravilhosa.

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  8. Joyce, vc tem noção do poder que tem quando descreve a brasa e o tempo lento? Forte demais.

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  9. Joyce, é impressionante como vc faz a fumaça virar personagem. Quase senti a garganta arder aqui. texto cru e lindo.

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  10. Li duas vezes seguidas. A hesitação antes do clique do isqueiro é exatamente oq me pega.

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  11. Não é só sexo, é ritual. Quando vc descreve o silêncio entre uma tragada e outra eu simplesmente paro de respirar junto.

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  12. Joyce, lendo esse trecho fica claro que o cigarro não é detalhe nem fetiche jogado por cima da cena, ele é o eixo de tudo. Dá pra sentir como ele manda no ritmo, na aproximação, no controle — a cada toque vem uma tragada, e isso quem conhece sabe o quanto é real. Essa troca de fumaça, esse “resto” que passa de um corpo pro outro, é íntimo demais, quase um pacto silencioso. Também gosto muito de como você não entra na cabeça dele, só no corpo e nas sensações dele vistas por você; isso mantém aquela tensão boa, aquele mistério que sustenta a dominação. A cinza intacta me pegou forte, é frágil e ao mesmo tempo solene, como o momento. E o final… duro, desconfortável, excitante na medida certa. Essa crueldade sutil, esse prazer no limite do outro, fecha a cena com maturidade. Dá pra sentir que isso foi vivido, não inventado às pressas.

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  13. Esse controle, essa entrega lenta. Joyce vc sabe exatamente onde tocar o leitor. Texto denso, abafado, perfeito.

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  14. Joyce, serio, vc consegue transformar fumaça em pele. Pouca gente escreve fetish assim, sem exagero, só sensação.

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  15. A parte da fumaça acumulando entre vcs…

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  16. Joyce, obrigado por não ter pressa. Cada tragada descrita faz a gente lembrar pq começou nisso tudo.

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