Sofia ergueu os olhos para mim,
carregando no olhar uma melancolia imensa. Contou que o velho conversava com a
esposa enquanto alimentava as aves. Falava sobre o dia, sobre as notícias e
sobre as flores do seu jardim. Minhas mãos deslizaram pela mesa em direção às
dela, detendo-se a poucos centímetros.
Ela mudou o foco e perguntou
sobre mim, se eu sentia que estava no caminho que imaginei. Contei sobre as
mudanças, a segurança recém-adquirida e o conforto atual. Sofia assentiu com a
cabeça. Filosofou que certas portas abrem apenas para dentro e lamentou a
ignorância humana sobre a própria natureza.
Ao alcançar o açucareiro,
encostou a mão na minha por alguns segundos e sugeriu que repetíssemos o café
em outras ocasiões.

Você não fala abertamente, mas eu captei a indireta a Sofia não estava falando da história de um velho qualquer no parque. Aquela história era a analogia dela para o Ted, não era?!
ResponderExcluirEla estava te dando uma pista enorme do quanto ela romantiza e deseja ter uma história de amor assim com o Ted!
Você não sentiu um ciúme sufocante e a vontade de gritar a verdade na hora?
Eu queria que todo mundo soubesse há muito tempo, mas Ted não queria que ninguém no trabalho soubesse.
ResponderExcluirEssa parte de que certas portas abrem apenas para dentro é a maior verdade. Você quis dizer, de um jeito poético, que a gente fica procurando a solução para os nossos problemas nas coisas externas mas no fundo, a mudança ou a resposta só aparece quando a gente decide olhar para dentro da gente.
ResponderExcluirInteligente