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A Euforia Pós-sexo (9)

Sofia jogou os cabelos para trás, expondo o brilho dos fios sob a luz. Ela começou a falar sobre um filme francês, O Sal da Terra, de Wim Wenders. Sabia do fascínio de Ted por Sebastião Salgado, afinal, ele tinha vários livros do fotógrafo e se inspirava nele para fazer suas próprias fotos. Ted passou horas ao meu lado, folheando aqueles livros enormes e explicando composição e luz. Eu fingia prestar atenção, mas estava muito mais interessada no modo em que as palavras saíam de sua boca.

Sofia mencionou uma cena específica, algo sobre um campo de petróleo em chamas. Ela descreveu a imagem: algo quase bíblico, uma fotografia diante do apocalipse. Ted concordou. Era uma das fotos favoritas dele. Falou da maneira que Salgado transformava catástrofe em poesia.

Logo em seguida, Sofia mencionou outra imagem: um retrato silencioso de mulheres e crianças envoltas em mantos, paradas em uma paisagem árida e vazia. Ela descreveu crianças que não pediam nada, apenas olhavam com um vazio pior do que o choro. Ted permaneceu em silêncio por alguns segundos, o olhar distante, perdido entre Sofia e a lembrança da foto. Ele murmurou que aquela imagem era da época em que Salgado esteve na África, e que era possível sentir a tangibilidade da fome nas dobras das roupas e na poeira suspensa no ar.

Sofia havia encontrado exatamente onde apertar. Eles falavam de dor e beleza com a mesma trivialidade de quem discute vinho ou música. Isso era o que mais me incomodava: a naturalidade com que pareciam se entender. Ela acessara a paixão dele com uma facilidade que eu raramente alcançava, naquele ambiente onde Ted mantinha suas defesas erguidas.

Sofia finalizou algo sobre o retorno à natureza e o mundo intocado do Gênesis. Ted riu baixo, concordando. Em seguida, ela se levantou e voltou para o computador, exalando satisfação.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."






Comentários

  1. Amo Sebastião Salgado!

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  2. Nossa Joyce, que situação! Vc descreveu tudo tão bem q parecia q eu tava lah, sentada do seu lado, sentindo a raiva e a inveja. O Ted nem pra disfarçar né? Vc acha q ele sabia do jogo dela? Ou tava só curtindo a atenção? Conta mais, precisamos saber o q aconteceu depois! 😢

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    1. Obrigada! Fiquei com muita raiva, sim. O Ted confessou que fazia de propósito para me dar ciúmes.

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  3. Joyce, vc tem muito talento pra escrever. A forma como vc descreveu cada detalhe, a queda estratégica do cabelo, o perfume amadeirado deu pra sentir o cheiro do tabaco e do perfume de longe! Mas o que me pegou foi o lance do filme. Ela indo exatamente no ponto fraco dele o Salgado, isso não foi coincidência. Ela fez a lição de casa! O seu Ted, no fim das contas, foi muito mole de ceder assim pra conversa fiada dela.

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    1. Que bom que gostou da descrição! E sim, concordo com você. Não foi coincidência nenhuma. Ela fez a lição de casa. Fiquei frustrada com o Ted também.

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  4. Joyce, esse relato é devastador. Você capturou a humilhação de ser espectadora da própria exclusão.
    Sua escrita transforma gestos e olhares simples em uma profunda reflexão sobre carinho, poder e solidão.
    O conflito principal da história não é o que pode ou não acontecer entre Ted e Sofia. O verdadeiro drama está emcomo você está se despedaçando por dentro. Você é obrigada a assistir, sem poder fazer nada, à prova de que a conexão que ele tanto desejava é, na realidade, uma distância imensa e intransponível.

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    1. Nossa, que profundo! Você acertou em cheio, Anna. É exatamente essa sensação: de estar de fora e ver tudo. Obrigada por entender o que eu senti.

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