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Cai o Pano (08)

Ted parou em frente a uma porta sem placa, apenas um número desbotado. Subimos uma escada estreita e mal iluminada. O lugar era quente, cheirava a cerveja, e a fumaça formava uma camada turva sob lâmpadas fracas. Entre as mesas de madeira espalhadas pelo espaço apertado, já não reagia como antes: a antiga Joyce não teria suportado aquele local, mas a de agora o achou fascinante.

No entanto, o que mais me impressionou foram as paredes. Cada centímetro estava coberto por páginas de jornal amareladas pelo tempo. Manchetes da época da ditadura, colunas censuradas, charges de Ziraldo com seu olhar perspicaz sobre nossa inocência coletiva. Bem à minha frente, uma charge em particular chamou minha atenção: um homem à beira de um precipício, com os dizeres "Pra frente, Brasil".

Ted escolheu uma mesa e se acomodou de forma relaxada. Pediu duas cervejas sem me consultar, certo de que eu aceitaria. O copo gelado molhou meus dedos, e o gosto amargo preencheu minha língua.

Ele apoiou o braço na mesa e se inclinou um pouco. Fiquei observando o movimento do seu pescoço, o formato preciso da sua mandíbula. Tentei relaxar, deixar os ombros caírem, soltar o corpo, mas a cada movimento tinha a impressão de que alguém me observava. As figuras das charges me encaravam, e os olhares dos outros clientes pareciam me julgar por estar ao lado dele. Impossível não pensar na manhã no trabalho, na forma como ele me olhou ao notar que eu usava sua camiseta.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Karina depois de quanto vc se assumiu fumante? E quando vc começou a comprar suas carteira de cigarro?

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  2. Também estou curioso, Anna também nos conte suas experiências

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  3. Foi na mesma época, não sei dizer exatamente o quando.
    O fetish achei na internet. Sempre achei bonito ver mulheres fumando. Me sinto bonita quando fumo.

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  4. Karina ❤️❤️❤️❤️❤️❤️

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