Ted parou em frente a uma porta
sem placa, apenas um número desbotado. Subimos uma escada estreita e mal
iluminada. O lugar era quente, cheirava a cerveja, e a fumaça formava uma
camada turva sob lâmpadas fracas. Entre as mesas de madeira espalhadas pelo
espaço apertado, já não reagia como antes: a antiga Joyce não teria suportado
aquele local, mas a de agora o achou fascinante.
No entanto, o que mais me
impressionou foram as paredes. Cada centímetro estava coberto por páginas de
jornal amareladas pelo tempo. Manchetes da época da ditadura, colunas
censuradas, charges de Ziraldo com seu olhar perspicaz sobre nossa inocência
coletiva. Bem à minha frente, uma charge em particular chamou minha atenção: um
homem à beira de um precipício, com os dizeres "Pra frente, Brasil".
Ted escolheu uma mesa e se
acomodou de forma relaxada. Pediu duas cervejas sem me consultar, certo de que
eu aceitaria. O copo gelado molhou meus dedos, e o gosto amargo preencheu minha
língua.
Ele apoiou o braço na mesa e se inclinou um pouco. Fiquei observando o movimento do seu pescoço, o formato preciso da sua mandíbula. Tentei relaxar, deixar os ombros caírem, soltar o corpo, mas a cada movimento tinha a impressão de que alguém me observava. As figuras das charges me encaravam, e os olhares dos outros clientes pareciam me julgar por estar ao lado dele. Impossível não pensar na manhã no trabalho, na forma como ele me olhou ao notar que eu usava sua camiseta.

Karina depois de quanto vc se assumiu fumante? E quando vc começou a comprar suas carteira de cigarro?
ResponderExcluirTambém estou curioso, Anna também nos conte suas experiências
ResponderExcluirFoi na mesma época, não sei dizer exatamente o quando.
ResponderExcluirO fetish achei na internet. Sempre achei bonito ver mulheres fumando. Me sinto bonita quando fumo.
Karina ❤️❤️❤️❤️❤️❤️
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