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Cai o Pano (27)

Pela manhã, no espelho, observava um reflexo sussurrado segurando o telefone. Do outro lado da linha, a voz de Ted contava que estava sozinho em casa, os pais haviam saído e só voltariam a noite. 

Era seu dia de folga. 

O convite para ir até lá fez meu coração acelerar. Ele mencionou que precisava de ajuda com alguns papéis do trabalho, e era uma maneira de aproveitarmos a tarde juntos.

A ideia me encantou imediatamente. Havia algo de libertador na perspectiva daquela tarde clandestina.

Desliguei o telefone e me estudei no espelho, decidindo que não levaria nada que pudesse despertar suspeitas.

Vesti um vestido de alça fina e pano florido, calcei uma sandália de dedo e peguei apenas o dinheiro exato para uma pequena parada estratégica. Nem bolsa levei; queria parecer alguém que saía para uma caminhada inocente pelo bairro quando, na verdade, estava prestes a mergulhar numa tarde que prometia ser tudo, menos isso.

Caminhei com a respiração em descompasso com meus passos até uma padaria longe de casa, um corriqueiro ádito onde pecados menores eram vendidos junto com o pão de cada dia. Entrei com a naturalidade de quem vai comprar leite e saí com um maço de Marlboro Light apertado contra a palma da mão. 

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. “tarde clandestina” ficou martelando na minha cabeça. é uma expressão simples mas carrega tanta coisa, medo, vontade, culpa.

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  2. Tem algo muito feminino nesse trecho, mas não no sentido óbvio. é a logística secreta do desejo. só quem vive entende.

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  3. A frase “pecados menores vendidos junto com o pão” é absurda de boa. vou roubar pra vida, desculpa.

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  4. Esse final não fecha, ele abre. dá a sensação de que a verdadeira história começa ali, com o maço escondido na mão.

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