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Cai o Pano (29)

O isqueiro acendeu. Aspirei profundamente, sentindo a primeira tragada invadir meus pulmões, densa, ansiosa, doce.

Ted me observava com uma mistura de fascínio e surpresa. Avancei dois passos, lentamente, soltando a fumaça que envolveu seu rosto antes de se dissipar no quarto abafado.

Cada movimento meu tinha peso e direção: os dedos correndo pelo tecido da cortina, a respiração mais profunda, os olhos fixos nos dele. O cigarro ardendo entre meus dedos marcava um ritmo interno, um sinal de que a cena era minha. A cinza pendia, longa e frágil, tremendo, prestes a cair.

Aproximei-me o suficiente para sentir o calor de sua pele no mínimo espaço entre nós. Seu cheiro invadiu minhas narinas. Suávamos sob o sol de fim de inverno que entrava pela janela.

Com o cigarro entre os dedos, percorri devagar o contorno do seu ombro. Não era uma carícia explícita, mas um toque que afirmava domínio. O cigarro, quase no fim, já estava quente demais para ser segurado, mas eu o mantinha ali, deixando que a fumaça se infiltrasse em sua respiração. Ted engoliu em seco.

Inclinei o pescoço para trás e soprei a fumaça em direção ao teto. Deixei a bituca cair no chão e, então, empurrei-o sobre a cama, assumindo o controle com uma naturalidade que me surpreendeu. Havia algo de poderoso na forma como ele me olhava; eu me transformara numa criatura mítica que acabara de se materializar em seu quarto.

Ainda com o sabor do cigarro nos lábios, beijei-o numa tomada de posse.

Sentada de joelhos sobre Ted, acendi outro cigarro. Com uma mão segurava o cigarro; com a outra, desabotoei o jeans dele. Ele estava pasmo, entregue. Tirei meu vestido. Fumava devagar, deixando a fumaça escapar entre os lábios enquanto meus dedos desciam pelo seu pescoço, pela linha do torso.

Passei a ponta fresca do cigarro pelos meus lábios antes de beijá-lo de novo. Tracei círculos de fumaça sobre seu peito nu e, depois, o mordi suavemente. Deixei a cinza cair, com um descuido calculado, no chão ao lado da cama. Ted apenas respirava, ofegante, hipnotizado pela autoridade daquela mulher que fumava e o possuía.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. 😲 A parte que vc sopra a fumaça no rosto dele antes de beijar. O Ted não teve chance nenhuma kkkk

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  2. O jeito q vc usa o cigarro pra dominar a situação é incrivel. essa coisa da cinza "tremendo" antes de cair me deu um gatilho kkkkk. Vc é mto poderosa Joyce, o Ted devia estar no paraíso e nem sabia.

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  3. Vc escreve mto bem! Adorei o detalhe da biblioteca e depois o contraste com o cheiro da fumaça. Me identifiquei mto pq tbm acho q o cigarro traz uma autoridade q pouca gente entende. Vc fumando de joelhos em cima dele... pqp... cena de filme. concerteza o melhor relato do blog ate agr.

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  4. Joyce do céu!! kkkkk Imagino a cara do coitado do Ted sem entender nada, só aceitando o destino. O fetiche em si é ótimo, mas a sua confiança é o que mais vicia na leitura. 'Criatura mítica' definiu bem. Esperando o próximo ansiosa!!!

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  5. achei mto bom o lance do suor no fim de inverno e o gosto do cigarro no beijo. mto sensual sem ser vulgar, sabe? vc tem um dominio da narrativa (e do Ted kkk) que é raro de ver. parabens joice!

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  6. O detalhe de vc passando a ponta do cigarro nos labios antes de beijar ele de novo fikei sem ar kkkk

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  7. É sobre assumir o próprio corpo num momento em que a gente normalmente se esconde. Me reconheci muito nessa necessidade de controlar a cena pra não desabar. O controle, o olhar dele, o cigarro como extensão do corpo, tudo isso me fez pensar em coisas que eu nunca coloquei em palavras.

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  8. Tem algo quase ritualístico na maneira como você escreve o cigarro. Não como vício, mas como marcador de tempo, de domínio, de decisão. Nunca tinha pensado assim.

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