Acomodei-me no banco traseiro do
ônibus. A paisagem passava pelas janelas: postes, pessoas, fachadas. Não
tínhamos falado muito antes de subir. Ele comprou minha passagem, e foi só.
Tentei respirar fundo, mas o ar prendeu na garganta.
Olhei pela janela. As ruas se
repetiam. Pensei na minha tia, na voz dela ao telefone, no que eu diria quando
chegasse. Mas as palavras não vinham. A mão esquerda formigava. Abri e fechei
os dedos. Nada mudou.
Ted se mexeu. Começou a se
levantar. Meu corpo inteiro travou. Ele ia descer. A ideia de ficar sozinha no
ônibus me aterrorizou. O peito apertou mais. A visão escureceu nas bordas.
Respirei rápido, mas o ar não entrava. Ele me beijou, apertou minha mão,
soltou.
Quando percebi, ele já estava de
pé, a mochila pendurada num ombro só, caminhando em direção à porta enquanto o
ônibus reduzia sua velocidade. O chão sumira. Em queda livre, meu peito
explodia em taquicardia. Cada batida martelava contra as costelas. O corpo
inteiro sibilava em alerta, cada músculo tensionado. Eu estava prestes a morrer
ali mesmo, no banco daquele ônibus.
Levantei-me. Meu corpo se movera
sozinho, seguindo Ted pelo corredor. Não era o meu ponto, mas desci. O
motorista fechou a porta; o ônibus seguiu sem mim.
Fiquei parada na calçada, o sol
batendo direto na cabeça. Ted se virou, me viu. Eu não sabia o que dizer. Não
sabia por que tinha descido, só sabia que não podia ter ficado. Ele deu um
passo na minha direção, perguntou algo; sua voz chegava abafada. Tentei responder.
Os lábios se moveram, mas nenhum som saiu. Tudo girou. Dei um passo para trás,
outro para o lado.
Ted segurou meu braço. A mão dele
era quente, firme. Eu me agarrei naquilo. As lágrimas vieram. Não chorei. Elas
só escorreram, molhando meu rosto, pingando no chão. Não tinha razão para
chorar. Mas o corpo chorava mesmo assim.
Desvencilhei-me de seu braço.
Havia algo de errado naquele seu olhar, a convicção silenciosa de que eu era
frágil e quebrada, alguém que ele precisava consertar. Eu não era nada além de
um problema a resolver, uma missão a cumprir, um objeto a ser realocado. Mas
isso não era o que eu queria. Muito menos o que eu precisava. Infelizmente, as
palavras certas não vieram; só restaram as erradas, duras, tortas. Ele recuou
confuso, e eu vi a mágoa estampar seu rosto. Tudo havia saído do controle.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Uma pergunta, estás fotos que você posta, são da época que se passa o fato, ou posteriores, apenas para ilustração?
ResponderExcluirSão imagens de Inteligência Artificial. Essa foi pelo Gemini. Aquele simbolo na parte inferior direita é a marca do Gemini. Representam várias épocas distintas.
ResponderExcluirJoyce do ceu, q agonia que me deu essa parte do onibus!!! Eu ja tive crise de pânico e senti a mesma coisa, parece q o mundo vai acaba e a gente fica sem ar.
ResponderExcluirmt bom o texto... so achei q vc foi dura demais com o Ted, o cara parecia q tava tentando ajudar. mas eh foda, cada um sabe onde o calo aperta. a solidao na rodoviaria eh uma das piores sensaçoes q existe. abs.
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