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Mentor Imperfeito (13)

Ela surgiu no vão da porta. Mais alta do que eu imaginara. Cabelos curtos, tingidos de um castanho avermelhado. A blusa larga, a calça jeans desbotada. O cigarro aceso equilibrado entre os dedos iluminava o rosto por instantes, revelando uma surpresa atônita que se dissolveu rápido, substituída por algo que eu reconhecia, e me reconhecia. Os olhos escuros percorriam meu rosto, desciam pelo meu corpo, voltavam, conferindo cada detalhe com a lembrança que ela guardava.

Deu um passo à frente e me puxou para um abraço longo. Senti o peito dela subir e descer contra o meu. Não soltou. Fiquei ali, rígida primeiro, depois me rendendo àquela proximidade que eu não sabia receber. Quando enfim me soltou, murmurou que eu estava igual à minha avó. Uma constatação viva, carregada de memória. Havia ali um passado que me antecedia, e do qual eu fazia parte sem entender.

Ela me conduziu para dentro. A casa tinha uma vitalidade discreta. Luz entrando pelas janelas, cortinas amarelas meio abertas. Um sofá de tecido marrom, uma mesinha de centro marcada por xícaras, estantes onde os livros se empilhavam sem ordem. Pelas paredes, fotografias em molduras diferentes: pessoas sorrindo, pessoas abraçadas na praia. Pegou uma foto na estante. O filho dela sorria na imagem, olhos semicerrados pelo sol. Disse que aquele era meu primo. Eu não o conhecia. Enquanto falava, buscava meu rosto com insistência, procurando ali algum traço perdido da menina que eu havia sido antes de desaparecer de sua vida.

Nos sentamos à mesa. Ela serviu o café. Apagou a bituca no cinzeiro e, sem pausa, pegou outro. Levou-o aos lábios, acendeu, tragou. Perguntou se eu queria açúcar. Recusei. Quis saber o que havia acontecido. Olhei para o café nas minhas mãos. Respirei. Contei. As palavras saíram secas. O relato objetivo de uma vida alheia.

Ela permaneceu em silêncio enquanto eu falava. O cigarro descansava entre seus dedos. A segurança de um gesto antigo, e as cinzas que caiam ao acaso. Cada tragada parecia ordenar o mundo ao redor. O cheiro madurava o ar. Percebi, com um estranhamento íntimo, o quanto meu peito se abriu ao reconhecer aquele gesto. Algo em mim identificou ali uma forma de sobrevivência.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. A parte dela dizer que você tá igual à sua avó... 😭

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    1. Às vezes, a gente se encontra em ecos do passado que nem sabia que existiam. Um abraço.

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  2. Nossa, o clima da casa dela parece ser tão gostoso! Cortina amarela, livro empilhado bem casa de tia msm kkkk. Mas Joyce, o q exatamente vc contou pra ela? Vc falou do Ted ou so do que aconteceu antes? To curiosa!!!!

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    1. A curiosidade é um bom sinal, significa que a história está te envolvendo. Obrigada!

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  3. Adoro como você descreve o ato de fumar não apenas como um vício, mas como um elo entre pessoas e memórias. A maneira como você percebe e se conecta com cada gesto é exatamente o que me fascina no smoking fetish.

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    1. Anna, fico feliz que você tenha captado essa essência.

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  4. Cada tragada parece carregar uma narrativa própria. O cheiro, o movimento, a contemplação da cinza me identifiquei demais.

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  5. O texto desperta uma sensação de nostalgia e intimidade que só quem aprecia o smoking fetish consegue compreender. A descrição é lenta, cuidadosa, e cada detalhe do cigarro torna-se um ponto de conexão com a personagem e suas memórias.

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    1. Sua leitura é muito perspicaz. A intenção é justamente essa

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  6. Não é só o cigarro em si, mas a maneira como ele organiza o mundo ao redor. Essa sensação de ordem e domínio silencioso, mesmo em pequenos gestos, é exatamente o que me atrai nesse fetiche. Perfeito.

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    1. Não é apenas o ato de fumar, mas a ordem que ele impõe, a pausa que ele cria no caos.

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