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Mentor Imperfeito (16)

Caminhei até o quarto e deitei na cama alheia. Fiquei olhando o teto, ouvindo os sons que vinham de fora. Vizinhos discutindo em algum apartamento próximo. Um ônibus passando na rua. O zumbido constante da vida que ignora as tragédias individuais e segue seu curso indiferente.

Apanhei o telefone sobre a mesa de cabeceira. Ensaiei mentalmente um pedido de desculpas por existir do jeito que existia. Pensei em dizer que estava bem, que tinha encontrado um lugar para ficar. Mas não fiz nada disso. Larguei o telefone de volta e virei de lado.

Minha tia bateu à porta com duas pequenas batidas antes de entrar. Trazia lençóis limpos e os colocou aos pés da cama.

— Você fez a coisa certa — disse.

Saiu antes que eu pudesse responder. Fiquei muito tempo olhando para a porta fechada, repetindo mentalmente aquelas palavras, tentando acreditar nelas.

Quando a noite lá fora se aquietou, levantei e fui até a janela. O céu urbano era uma abóbada escura, pontilhada pela luz que vinha dos postes, das janelas, e da lua pálida, testemunha da insônia e da solidão que pendiam sob os telhados.

Pensei nas noites que viriam. Na minha tia dormindo no quarto ao lado. Pensei em Ted. Compreendi que a ruptura era irreversível e que a liberdade tinha o gosto seco e morno do carvalho queimado, belo e assustador ao mesmo tempo. 

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. "Ensaiei um pedido de desculpas por existir" nossa, Joyce me vi ai

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